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Thinking outside the box

O novo normal é o choque: O investimento “obrigatório” em tempos de guerra

17 abr 2026, 18:56 - atualizado em 17 abr 2026, 18:56
ormuz petróleo commodities geopolítica energia
(REUTERS/Stringer)

O colapso das negociações entre Estados Unidos e Irã ao longo do fim de semana inaugura uma nova etapa de escalada no Oriente Médio, agora marcada não apenas por retórica mais agressiva, mas por medidas concretas com potencial de impacto direto sobre o comércio global de energia.

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O anúncio de bloqueio aos portos iranianos por parte dos americanos, somado à ameaça de novas restrições no Estreito de Ormuz — uma das rotas mais estratégicas para o transporte de petróleo no mundo —, representa uma mudança qualitativa importante no conflito.

Deixa-se para trás a fase em que o episódio era tratado majoritariamente como um impasse diplomático tenso, para entrar em um estágio em que decisões práticas começam a afetar fluxos físicos e, por consequência, a dinâmica dos mercados.

Essa mudança eleva de forma relevante o risco de interrupções no fornecimento de petróleo e derivados. Ainda que parte dos investidores inicialmente tenha interpretado o movimento como uma forma de pressão negociadora, os efeitos já começaram a se materializar.

O petróleo voltou a superar a marca de US$ 100 por barril, os mercados globais passaram a operar sob maior pressão e o apetite por risco se deteriorou. Em termos práticos, quando o petróleo sobe de maneira tão acentuada, não se trata apenas de energia mais cara.

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Trata-se de um insumo central para praticamente toda a economia, com impacto potencial sobre transporte, produção, inflação e expectativas, o que ajuda a explicar por que esse tipo de choque tende a se espalhar rapidamente por diferentes classes de ativos.

Ao mesmo tempo, a escalada aumenta o risco de um confronto mais direto, especialmente diante da reação mais firme de Teerã e do reforço da presença militar americana na região. O que até pouco tempo atrás era visto como mais um foco de tensão geopolítica passa, agora, a produzir efeitos mais tangíveis sobre os mercados, revertendo parte do alívio observado na semana anterior.

Mesmo que ainda exista algum ceticismo quanto à duração e à intensidade desse movimento, o pano de fundo segue delicado. O Irã adota um discurso mais duro, condicionando qualquer retomada mais efetiva das negociações a concessões relevantes, enquanto as divergências entre países ocidentais dificultam a construção de uma resposta coordenada e previsível. Em outras palavras, o cenário continua altamente sensível e sujeito a novos episódios de volatilidade.

O efeito cascata da guerra

A ausência de coordenação internacional, neste momento, ganha relevância adicional. Em episódios anteriores, respostas conjuntas entre grandes economias ajudaram a ancorar expectativas e a conter movimentos mais desordenados de mercado — algo que, por ora, parece mais difícil de se materializar. Nesse contexto, a geopolítica retoma um papel central como principal vetor de formação de preços no curto prazo, com impactos diretos sobre inflação, atividade econômica e estabilidade financeira global.

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Esse novo ambiente aumenta a probabilidade de uma disrupção mais prolongada nas cadeias globais de energia e de insumos.

Para tornar essa dinâmica mais concreta: um petróleo persistentemente elevado tende a encarecer o transporte, pressionar os custos de fertilizantes, elevar os preços dos alimentos e, consequentemente, reduzir a renda disponível das famílias. Trata-se de um efeito em cascata que, ao se espalhar pela economia, pode comprometer o ritmo de crescimento global.

Ainda que exista alguma margem para retomada das negociações e eventual normalização, a dinâmica atual aponta para um cenário mais instável, volátil e suscetível a novos choques.

Nesse ambiente, decisões políticas e militares voltam a exercer influência direta sobre o comportamento dos ativos, reforçando a percepção de que o mercado entrou em uma fase mais sensível à geopolítica e menos ancorada exclusivamente em fundamentos tradicionais.

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Em momentos como esse, a alta do petróleo tende a provocar mudanças relevantes nos preços relativos, nas expectativas macroeconômicas e nos fluxos de capital, favorecendo determinados setores.

Não por acaso, empresas ligadas ao segmento de óleo e gás têm apresentado desempenho superior, refletindo uma reprecificação gradual por parte dos investidores.

Ao mesmo tempo, estimativas já sugerem um potencial de interrupção de oferta que supera, em magnitude, episódios históricos como o embargo árabe de 1973 ou a Guerra do Golfo — eventos que, por si só, foram suficientes para desencadear recessões globais.

Mesmo com a liberação de reservas estratégicas por parte da Agência Internacional de Energia, a reação dos preços indica que o mercado ainda considera essa resposta insuficiente para equilibrar oferta e demanda no curto prazo.

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Isso reforça a leitura de um ambiente estruturalmente mais pressionado, no qual o risco energético permanece como um dos principais determinantes da dinâmica econômica global.

Onde investir na guerra?

Diante desse pano de fundo, manter alguma exposição estrutural a commodities passa a fazer cada vez mais sentido dentro das carteiras de investimento.

Mesmo que o atual conflito venha a se estabilizar ao longo do tempo, o cenário global já mudou de natureza: vivemos um ambiente marcado por maior fragmentação geopolítica, reorganização das cadeias de suprimento e intensificação das disputas estratégicas entre grandes potências.

Em termos mais simples, isso implica que choques de oferta — que antes eram relativamente pontuais — tendem a se tornar mais recorrentes.

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Nesse contexto, ativos ligados a recursos naturais deixam de ser apenas instrumentos de proteção em momentos de estresse e passam também a desempenhar um papel importante na captura de valor ao longo de ciclos de escassez.

Em um mundo mais instável e menos integrado, essa lógica deixa de ser exceção e se aproxima de uma verdadeira regra prática de alocação.

Uma forma simples e eficiente de acessar essa tese é por meio de um ETF que tenho destacado como um investimento praticamente indispensável em períodos de maior tensão global. Trata-se de um fundo que oferece exposição direta a empresas brasileiras ligadas ao universo de commodities — incluindo petróleo, mineração e agronegócio — permitindo ao investidor, por meio de um único ativo listado em bolsa, acessar uma carteira diversificada de companhias exportadoras, com forte geração de caixa.

Na prática, são empresas que tendem a se beneficiar de dois vetores bastante típicos em momentos de maior incerteza global: a valorização das matérias-primas e a depreciação cambial. Aproximadamente 40% da composição do ETF está concentrada no setor de óleo e gás, o que o torna particularmente sensível — e potencialmente favorecido — em ciclos de alta dos preços de energia.

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Além disso, sua estrutura é bastante eficiente do ponto de vista operacional: possui taxa de gestão reduzida (em torno de 0,50% ao ano), não está sujeito à incidência de come-cotas ou IOF e conta com liquidez diária em bolsa, o que facilita tanto o acesso quanto o acompanhamento da posição.

Em síntese, trata-se de uma solução prática, acessível e bem diversificada para capturar o potencial de valorização do ciclo de commodities no Brasil, especialmente em um ambiente global mais volátil, no qual riscos geopolíticos tendem a ser menos episódicos e mais recorrentes ao longo do tempo.

Para quem tiver interesse, vale a pena conferir os detalhes desse investimento clicando aqui.

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Economista e especialista em investimentos da Empiricus
Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia pela PUC. Pós-graduado no Programa Avançado em Finanças do Insper, trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimentos da América Latina, além de ter feito parte de uma boutique voltada para fusões e aquisições, na área de modelagem financeira e pesquisa. Hoje faz parte no time de analistas da Empiricus, participando de séries como Palavra do Estrategista e Double Income, além do programa Empiricus Private junto do Felipe Miranda, estrategista-chefe e um dos fundadores da casa. É analista CNPI e especialista em investimentos CEA.
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Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia pela PUC. Pós-graduado no Programa Avançado em Finanças do Insper, trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimentos da América Latina, além de ter feito parte de uma boutique voltada para fusões e aquisições, na área de modelagem financeira e pesquisa. Hoje faz parte no time de analistas da Empiricus, participando de séries como Palavra do Estrategista e Double Income, além do programa Empiricus Private junto do Felipe Miranda, estrategista-chefe e um dos fundadores da casa. É analista CNPI e especialista em investimentos CEA.
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