O que esperar dos balanços do 2T26? JP Morgan aposta em ‘stock picking’ e aponta vencedores e perdedores
O JP Morgan, em relatório, considera que, embora os números agregados esperados para os balanços do segundo trimestre de 2026 (2T26) sejam positivos, o feedback qualitativo leva o banco a esperar uma temporada de resultados neutra.
Nos cálculos do time de estrategistas conduzido por Cinthya M Mizuguchi, o lucro líquido da América Latina deve crescer cerca de 35%, com avanço de 18% da receita e aumento de 23% do lucro antes de juros, impostos, apreciação de depreciação (Ebitda), também em ritmo de dois dígitos.
No entanto, o JP avalia que os resultados tendem a ser dispersos: Colômbia é o grande destaque em crescimento, já Brasil e México devem apresentar desempenho sólido, porém menos expressivo.
Já o Chile se destaca negativamente na linha operacional, com Ebitda em queda na comparação anual, e o Peru apresenta um cenário mais misto.
Segundo o banco, o cenário macroeconômico deve contribuir para a dispersão, uma vez que a depreciação das moedas locais frente ao dólar tende, em geral, a favorecer exportadores e empresas com receitas ligadas à moeda. Já os setores ligados a importações e sensíveis ao consumo devem ser pressionados.
“Além disso, o comportamento das commodities é misto: o petróleo caiu fortemente na comparação trimestral, o cobre subiu, enquanto minério de ferro e celulose recuaram, e o aço permaneceu praticamente estável, criando forças opostas dentro dos setores de energia e materiais”, afirma o banco.
Desempenho por setor
Para o banco, ao considerar o cenário macroeconômico, o quadro não sugere uma temporada em que todos os setores ganham. “Os resultados devem permanecer resilientes onde o crescimento se sustenta e o poder de precificação é preservado, mas pressionados onde a demanda é discricionária ou onde custos e câmbio representam obstáculos”, afirma.
Consequentemente, o JP Morgan considera que essa deve ser uma temporada favorável à seleção de ações (stock picking), e não a uma aposta ampla em setores.
Na avaliação do banco, os destaques positivos estão concentrados em distribuição de combustíveis, setor imobiliário — impulsionado pelo Minha Casa, Minha Vida —, saúde, siderurgia e locação de veículos.
Por outro lado, os principais pontos negativos devem ser empresas de consumo sensíveis aos juros, companhias aéreas, educação, minério de ferro e parte dos setores financeiro e de meios de pagamento, onde o crescimento desacelera e as preocupações com crédito permanecem.
Confira abaixo as expectativas do JP Morgan para o resultado do 2T26 das empresas brasileiras:
| Ação | Ticker | Expectativa para o 2T26 |
|---|---|---|
| Hypera | HYPE3 | Positiva |
| RD Saúde | RADL3 | Positiva |
| Smart Fit | SMFT3 | Positiva |
| WEG | WEGE3 | Neutra |
| Embraer | EMBJ3 | Neutra |
| Santander Brasil | SANB11 | Negativa |
| Banco do Brasil | BBAS3 | Negativa |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | Neutra |
| Bradesco | BBDC4 | Neutra |
| XP Inc. | XPBR11 | Neutra |
| BTG Pactual | BPAC11 | Neutra |
| B3 | B3SA3 | Neutra |
| PRIO | PRIO3 | Positiva |
| Petrobras | PETR4 | Positiva |
| Vibra Energia | VBBR3 | Positiva |
| Ultrapar | UGPA3 | Positiva |
| Klabin | KLBN11 | Neutra |
| Suzano | SUZB3 | Neutra |
| Usiminas | USIM5 | Positiva |
| Gerdau | GGBR4 | Positiva |
| CSN | CSNA3 | Positiva |
| CSN Mineração | CMIN3 | Negativa |
| Vale | VALE3 | Negativa |
| Totvs | TOTS3 | Positiva |
| Mercado Livre | MELI | Neutra |
| Inter | INTR | Neutra |
| VTEX | VTEX | Neutra |
| LWSA | LWSA3 | Neutra |
| Sabesp | SBSP3 | Positiva |
| Copasa | CSMG3 | Positiva |
| Cemig | CMIG4 | Negativa |
| Equatorial | EQTL3 | Negativa |