Comprar ou vender?

É hora de comprar Fleury (FLRY3) depois da disparada de quase 50% em 2026?

23 set 2026, 17:00
Fleury acelera na bolsa
(Imagem: Montagem Money Times)

As ações do Fleury (FLRY3) acumulam valorização próxima de 50% em 2026, enquanto o Ibovespa (IBOV) avançou 16% no mesmo período. Na avaliação do BTG Pactual, porém, a forte alta dos papéis não pode ser explicada apenas pela evolução dos fundamentos operacionais da companhia.

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Para o banco, o movimento foi impulsionado principalmente por uma reprecificação do valuation da empresa, além de uma tendência observada entre companhias globais do setor de diagnósticos.

Segundo o relatório, embora o Fleury continue apresentando um desempenho operacional consistente, as revisões para cima nas projeções de resultados foram bastante limitadas ao longo do ano.

“Reconhecemos que o momento operacional da companhia tem sido sólido. No entanto, não observamos revisões relevantes para cima nas estimativas de lucro recentemente”, afirma o BTG.

De acordo com o banco, sua estimativa de lucro operacional (Ebitda) para 2026 subiu apenas 2% desde o início do ano, indicando que a valorização das ações veio principalmente de uma expansão dos múltiplos pagos pelos investidores.

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“Portanto, a maior parte da valorização das ações parece ter vindo de uma reprecificação da companhia em termos de valuation“, diz.

Movimento vai além da busca por proteção

Em um primeiro momento, o BTG acreditava que a valorização do Fleury poderia estar relacionada ao perfil mais defensivo da companhia em um cenário de piora do humor do mercado brasileiro.

Durante o segundo trimestre, quando as incertezas políticas e eleitorais ganharam força, muitos investidores migraram para empresas consideradas mais resilientes, favorecendo ações com menor volatilidade.

A tese fazia sentido para o banco, porque a empresa combina baixa alavancagem financeira, demanda considerada resiliente e atuação em um segmento tradicionalmente menos sensível aos ciclos econômicos.

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No entanto, essa explicação perdeu força quando a ação continuou superando o desempenho do mercado mesmo após a melhora do apetite por risco observada em agosto.

“Quando o mercado voltou a um ambiente de maior apetite por risco em meados de agosto, o Fleury novamente apresentou desempenho superior ao mercado em geral”, afirma o BTG.

Com isso, os analistas passaram a olhar para fora do Brasil em busca de explicações para o comportamento dos papéis.

Embora o BTG destaque que o setor de saúde costuma ser fortemente influenciado por fatores locais, o banco observa que empresas globais de diagnóstico médico também passaram por uma forte reprecificação em 2026.

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“Observamos que os pares globais de diagnóstico mais próximos do Fleury passaram por reprecificações relevantes e apresentaram desempenho sólido nas ações neste ano”, afirma.

Segundo a instituição, os investidores parecem ter reforçado uma visão mais positiva sobre o potencial de crescimento estrutural do segmento de diagnósticos, impulsionado por tendências de longo prazo como medicina preventiva, diagnóstico precoce e tratamentos personalizados.

“Talvez não seja coincidência que empresas focadas em diagnóstico de precisão e oncologia estejam entre as que mais crescem globalmente”, considera o banco no relatório.

Mudança no Fleury?

Apesar do desempenho expressivo das ações, o BTG faz um alerta: a reprecificação não deve ser interpretada como uma mudança estrutural no perfil de crescimento da companhia. “Não acreditamos que seja esse o caso”, afirmam os analistas.

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Segundo o banco, a companhia continua crescendo de forma saudável, mas em linha com a expansão do mercado privado de saúde brasileiro.

Além disso, o BTG destaca que o Fleury não vem realizando investimentos agressivos para ampliar capacidade, o que limita seu potencial de crescimento acima da média do setor nos próximos anos.

Diante desse cenário, o banco manteve recomendação neutra para as ações da Fleury e segue vendo uma relação risco-retorno mais favorável na Rede D’Or (RDOR3).

O BTG avalia que a rede hospitalar possui perspectivas superiores de crescimento, apoiadas por um pipeline mais robusto de investimentos e maior potencial de ganho de participação de mercado.

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Ainda assim, os analistas reconhecem que não há um gatilho evidente para uma correção das ações do Fleury no curto prazo. Uma das razões é a possibilidade, ainda que considerada menos provável atualmente, de a companhia participar de uma operação de fusões e aquisições.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.

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