Oncoclínicas (ONCO3) amplia apoio ao plano de recuperação extrajudicial e alcança adesão de 74,6% da base credora
A Oncoclínicas (ONCO3) informou ao mercado sobre o recebimento de novas adesões ao seu plano de recuperação extrajudicial. Agora, a companhia conta com a adesão de credores titulares de créditos que ultrapassam R$ 4,3 bilhões, correspondentes a 74,6% da base de créditos abrangidos.
A base total de créditos considerada no processo soma cerca de R$ 5,8 bilhões, desconsiderando os Créditos Intercompany (operações entre empresas do grupo).
O avanço ocorre após a companhia ter protocolado uma versão atualizada do plano de reestruturação, em meio às negociações com credores.
A rede de tratamentos oncológicos propôs uma nova versão como mais um passo para reorganizar seu endividamento. O documento substituiu uma proposta protocolada em agosto. Na primeira versão, o plano previa a renegociação de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras.
A proposta reúne diferentes modalidades de pagamento e reestruturação, incluindo:
- a troca de parte da dívida por novos instrumentos financeiros,
- o alongamento dos prazos de pagamento,
- a entrega de determinados ativos,
- a emissão de debêntures conversíveis e
- a quitação parcial dos débitos por meio de ações da própria companhia.
O plano também prevê descontos em determinadas opções de pagamento e condições específicas para fornecedores que mantêm relações comerciais com a empresa.
Recuperação extrajudicial da Oncoclínicas
A Oncoclínicas anunciou ao mercado, em meados de julho, um pedido de recuperação extrajudicial como parte do processo de reestruturação de sua dívida financeira.
Diferentemente da recuperação judicial, a extrajudicial permite que empresas em crise financeira renegociem dívidas diretamente com credores. A ideia é chegar a acordos sobre a reestruturação de dívidas diretamente com os credores.
A situação atual da Oncoclínicas é resultado de uma sucessão de acontecimentos, sendo o principal deles a estratégia de expansão adotada após a oferta pública inicial de ações (IPO) realizada em 2021.
A empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO, expandiu o foco das clínicas que realizavam diagnósticos e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para áreas de alta complexidade do tratamento oncológico.
Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.
Entre as medidas para pôr a casa em ordem, houve a venda de hospitais adquiridos e o cancelamento de hospital que seria construído.
Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte do caixa da companhia aplicada em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.
Somaram-se a isso um ambiente de juros elevados, dificuldades de integração dos ativos adquiridos e a necessidade de reforçar o caixa, fatores que culminaram no atual processo de recuperação extrajudicial e na busca por uma reestruturação ampla das dívidas da companhia.
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