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Oncoclínicas (ONCO3): Em meio às incertezas operacionais, CEO conta qual a prioridade absoluta no momento

10 abr 2026, 13:47 - atualizado em 10 abr 2026, 13:47
Carlos Gil CEO Oncoclínicas
Carlos Gil, CEO Oncoclínicas (Imagem: Divulgação)

Há apenas cinco semanas na posição de CEO, Carlos Gil abriu a teleconferência de resultados referente ao quarto trimestre de 2025 enfatizando sua ciência sobre os atuais desafios da Oncoclínicas (ONCO3).

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A companhia reportou na noite de quinta-feira (9) um prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão, aumentando a perda de R$ 759 milhões reportada no mesmo período de 2024.

O resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado foi de R$ 238,8 milhões no último trimestre de 2025, recuo de 24% sobre o quarto trimestre de 2024. A receita líquida no 4T25 também registrou queda, sendo 12,6% inferior ao mesmo período de 2024, para R$ 1,37 bilhão.

O executivo afirmou durante a teleconferência que a companhia está passando por mudanças estruturais importantes nas últimas semanas, visando simplificar a estrutura e aumentar o nível da disciplina de execução.

Em termos de alocação de capital, a Oncoclínicas segue executando o plano de retomada para básico: oncologia ambulatorial.

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Um dos gatilhos para a pressão financeira enfrentada pela companhia é uma expansão mal-sucedida. Agora, a companhia se desfaz de hospitais em Uberlândia, Belo Horizonte e outras regisões, com o intuito de recobrar os primórdios da empresa a na busca por colocar a casa em ordem.

“Em termos de liquidez, nós estamos operando com um cenário de pressão que não é surpresa para ninguém. Mas a administração está 100% focada em tomar decisões estruturantes que vão endereçar essa questão”, disse o CEO.

De acordo com Carlos Gil, a prioridade absoluta nesse momento é manter a atividade operacional na ponta ambulatorial de atendimento dos pacientes. Segundo ele, existem diversas estratégias nesse sentido em fase de execução.

O CFO interino da Oncoclínicas, Marcel Vieira, chamou atenção para o impacto de inadimplência de clientes, o que, segundo ele, mudou a trajetória de crescimento constante ao longo dos anos.

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Vale lembrar que a companhia rompeu com a Unimed em agosto do ano passado.

Do ponto de vista interno, com a diminuição da receita, obviamente tivemos uma diluição ruim de custos. A receita caiu 7% e o Ebitda acabou caindo mais de 30%. Estamos aqui atuando para tentar reverter esse quadro, mas o resultado de 2025 acabou sendo esse”, reconheceu o executivo.

4T25 difícil

O JP Morgan destaca que os números do trimestre vieram abaixo do esperado, impactados pela queda de receita, que reflete a redução de volumes diante de uma estratégia recentemente implementada para diminuir a exposição a pagadores de menor qualidade, que exigem prazos de pagamento mais longos.

Na leitura da equipe de analistas liderada por Joseph Giordano, as limitações no balanço estão restringindo os volumes de serviços, devido à oferta limitada de medicamentos.

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Além do resultado abaixo do esperado, os auditores independentes destacaram o capital de giro negativo de R$ 2,3 bilhões, principalmente como consequência do descumprimento de covenants financeiros nos contratos de financiamento.

Covenants nada mais são do que cláusulas contratuais presentes em empréstimos e debêntures que determinam níveis saudáveis em que a companhia deve se manter, como limite de endividamento. É uma maneira de proteger credores de inadimplência.

A Oncoclínicas já vinha sinalizando dificuldade de lidar com os covenants, tendo convocado assembleias gerais de debenturistas de diferentes emissões para deliberar sobre um waiver para um eventual não cumprimento do índice de alavancagem. Um waiver consiste em uma exceção/dispensa à regra.

Parte dos credores concederam o waiver, no entanto, outros ainda estão em negociação, principalmente no que diz respeito à debêntures mais pulverizadas.

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O índice de alavancagem da Oncoclínicas está em 4,3 vezes, acima dos limites de covenants.

Essa quebra levou à reclassificação da dívida de longo prazo para o curto prazo, uma vez que os credores passaram a ter o direito de exigir o pagamento antecipado dessas obrigações.

“Essas circunstâncias, combinadas com outros fatores, indicam uma incerteza relevante que pode ‘levantar dúvidas significativas sobre a capacidade da companhia de continuar operando’, segundo a própria empresa, especialmente diante da ausência de geração de fluxo de caixa livre”, destaca o JP Morgan.

A continuidade do negócio depende fortemente de apoio externo, como a potencial transação com Porto Seguro (PSSA3) e Fleury (FLRY3), que são partes interessadas na continuidade das operações da Oncoclínicas.

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Os problemas na Oncoclínicas

A Oncoclínicas está há algum tempo no radar devido aos problemas financeiros decorrentes de uma expansão mal-sucedida. Em meio à investimentos em hospitais e crescimento no setor oncológico, a companhia se viu obrigada a recalcular a rota e retomar para o core business.

Nascida há 15 anos em Belo Horizonte (MG), a empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.

Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.

Como resultado, a companhia, que chegou a adquirir três hospitais gerais e trabalhava na construção de três outros, vem lidando com piora nos resultados, alta alavancagem e elevado consumo de caixa.

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Entre as medidas para pôr a casa em ordem, houve a venda de hospitais adquiridos e cancelamento de hospital que seria construído. Além disso, a empresa desistiu dos planos de uma joint venture para atuar na Arábia Saudita.

Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte de caixa da companhia aplicado em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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