Por que a OpenAI está investindo bilhões para levar o ChatGPT à saúde
À medida que a inteligência artificial (IA) ganha espaço no cotidiano, cresce também o número de pessoas que recorrem ao ChatGPT para entender sintomas antes de buscar atendimento médico. A OpenAI quer transformar esse hábito em uma oportunidade de negócios no mercado de saúde e bem-estar.
Em janeiro deste ano, a empresa de IA anunciou a adoção de suas ferramentas em oito grandes sistemas de saúde, entre eles o HCA Healthcare, uma das principais operadoras privadas de hospitais e serviços de saúde dos Estados Unidos e do Reino Unido.
Uso da IA no sistema de saúde
No início deste ano, a OpenAI anunciou o ‘ChatGPT Health’, uma aba dentro de sua plataforma voltada a fornecer informações relacionadas à saúde.
A ideia é atender a um uso já comum do ChatGPT: tirar dúvidas sobre saúde, mas com camadas extras de proteção de dados. O objetivo é conectar, com segurança, registros médicos e aplicativos de bem-estar ao perfil da conversa.
O modo ‘Health’ ainda está limitado a um pequeno grupo de usuários para testes e desenvolvimento da ferramenta. Há uma lista de espera para participar.
Karan Singhal, líder de IA para a área da saúde da OpenAI, afirma que ‘hoje em dia, saúde é um dos casos mais ativos de uso do ChatGPT’.
Até o momento, um dos usos mais seguros da tecnologia tem sido o apoio a operações médicas. A AdventHealth, proprietária de mais de 50 hospitais, afirma ter observado uma redução de 80% no tempo gasto com tarefas administrativas graças ao uso do ChatGPT.
De acordo com a Forbes, milhares de startups de saúde já utilizam modelos de IA. A Labcorp, gigante americana de diagnósticos, usa inteligência artificial para aumentar a eficiência da análise de resultados. Segundo a empresa, 41% das análises já contam com apoio da tecnologia.
Em maio deste ano, a companhia se uniu à OpenAI para desenvolver um novo aplicativo que ajudará consumidores a interpretar os resultados de exames.
O mercado de tecnologia para a saúde é altamente competitivo, já que hospitais costumam operar com margens reduzidas para investir em infraestrutura.
‘Estou bastante otimista quanto à capacidade deles de obter sucesso junto aos consumidores […] Já em relação ao segmento corporativo, estou menos convencido’, afirmou John Beadle, sócio-gerente da Aegis Ventures, empresa focada no setor de saúde, à Forbes.
A OpenAI terá de competir com a Anthropic, que já nasceu com foco no segmento corporativo e possui seu próprio conjunto de soluções para a área de saúde, além do Google e de outras empresas de tecnologia voltadas ao setor.
Uma ferramenta ainda em desenvolvimento
Apesar de representar um avanço e demonstrar ganhos de produtividade em diversas tarefas, o uso da IA no sistema de saúde ainda está em desenvolvimento e deve ser encarado com cautela.
Milhares de pessoas fazem perguntas relacionadas à saúde ao ChatGPT todos os dias. Em alguns casos, a ferramenta fornece informações corretas; em outros, pode apresentar respostas equivocadas, criando riscos para o usuário.
Segundo um estudo sobre o ChatGPT Health, publicado na revista Nature Medicine em fevereiro, a ferramenta deixou de recomendar uma visita ao hospital, quando ela era clinicamente necessária, em mais da metade dos casos.
Além disso, o estudo identificou outros problemas, como a incapacidade de reconhecer usuários com comportamento suicida ou de automutilação e, em 65% dos casos, a recomendação de atendimento para quadros que não eram urgentes.
Em entrevista à Forbes, Jinsy Andrews, neurologista da NYU Langone Health, afirmou ser comum pacientes chegarem ao consultório com cópias impressas de conversas mantidas com o ChatGPT.
‘Às vezes, isso ajuda as pessoas a procurarem atendimento médico e receberem um diagnóstico mais cedo para doenças progressivas. Mas também pode criar complicações desnecessárias’, disse a médica.
*Sob supervisão de Renan Dantas