PetroReconcavo (RECV3) vai ao Cade por fatia em eólicas da Equatorial; Opportunity é sócio dos dois lados
A PetroReconcavo (RECV3) pediu aval ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para adquirir 49,5% de duas sociedades de propósito específico (SPEs) controladas pela Echoenergia, subsidiária integral da Equatorial (EQTL3).
A operação tem a presença do Opportunity nas duas companhias envolvidas como acionista de referência. Segundo a notificação ao Cade, a gestora detém 27,64% da PetroReconcavo. Já os fundos administrados pelo Opportunity possuem 10,04% da Equatorial, controladora da Echoenergia, conforme a estrutura acionária divulgada pela companhia em maio de 2026.
O preço da transação não foi divulgado na versão pública do formulário.
A operação envolve a Vila Rio Grande do Norte 2 e a Vila Sergipe 1, donas de parques eólicos em operação no Rio Grande do Norte, ambas localizadas em Serra do Mel (RN).
Cada empreendimento possui 37,8 megawatts (MW) de potência outorgada, totalizando 75,6 MW.
No formulário apresentado ao Cade, a PetroReconcavo afirma que a aquisição busca reduzir sua exposição à volatilidade dos custos de energia elétrica, garantir maior previsibilidade de longo prazo para um insumo relevante de suas operações e permitir seu enquadramento como autoprodutor equiparado.
Segundo a companhia, a energia gerada poderá ser utilizada para suprir parte de seu consumo, em linha com sua estratégia de otimização de custos operacionais, diversificação da matriz energética, eficiência energética e sustentabilidade.
Embora possua classificação econômica (CNAE) relacionada à geração de energia, a própria notificação informa que o Grupo PetroReconcavo não atua atualmente no setor elétrico brasileiro, permanecendo concentrado nas atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural, principalmente em campos maduros terrestres na Bahia, no Rio Grande do Norte e em Sergipe.
Echoenergia, Equatorial e PetroReconcavo
A Echoenergia passou a integrar o portfólio da Equatorial em março de 2022, quando a elétrica concluiu a aquisição de 100% da companhia em uma transação de aproximadamente R$ 6,7 bilhões, marcando sua entrada no segmento de geração renovável e uma das maiores aquisições do setor no Brasil.
Hoje, contudo, os valuations de empresas de renováveis estão espremidos. As companhias vêm sofrendo por conta do curtailment — a limitação ou interrupção da geração de energia determinada pelo operador do sistema elétrico, mesmo quando a usina tem capacidade para produzir, causada agora pelo excesso de oferta em determinados horários.
Segundo relatório da Equatorial, a Echoenergia reúne ativos eólicos com cerca de 1,2 gigawatt (GW) de capacidade instalada. Os dois parques objeto da operação somam 75,6 MW, o equivalente a cerca de 6% desse portfólio.
A proximidade entre os grupos também aparece na composição dos conselhos de administração. Em março, a PetroReconcavo anunciou a nomeação de Tiago de Almeida Noel para a presidência de seu conselho de administração.
Noel é sócio responsável pela área de private equity do Opportunity, integra o conselho de administração da Equatorial Energia desde 2021 e foi conselheiro da Echoenergia entre 2022 e 2024.
As requerentes solicitaram que a operação seja analisada pelo rito sumário e aprovada sem restrições. Segundo elas, a transação gera apenas uma potencial integração vertical limitada entre a geração de energia dos projetos e o consumo de energia pela PetroReconcavo, sem produzir riscos concorrenciais relevantes.
A reportagem procurou PetroReconcavo, a Equatorial e o Opportunity para comentar a operação e questionar os critérios de precificação da transação. Caso haja manifestação, este texto será atualizado.