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Dólar cai a R$ 5,10 após IPCA reforçar expectativa de novo corte na Selic

10 jul 2026, 12:15 - atualizado em 10 jul 2026, 12:15
dólar real dxy câmbio
(Imagem: Nelson_A_Ishikawa/Getty Images)

O dólar à vista operava em baixa ante o real na manhã desta sexta-feira (10) com os investidores reagindo a novos dados de inflação brasileira, que reforçaram a expectativa de um novo corte na taxa básica de juros, a Selic, na próxima decisão de política monetária do Banco Central.

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Por volta de 10h40 (horário de Brasília), o dólar à vista operava a R$ 5,1053 (-0,34%), na mínima intradia. Com o enfraquecimento, a divisa caminha para encerrar a semana com desvalorização de mais de 1% ante a moeda brasileira.

O dólar acompanha a fraqueza da moeda no exterior e o alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, em meio à expectativa de retomada das negociações de um acordo para encerrar a guerra entre EUA e Irã no Oriente Médio. No mesmo horário, o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com leve queda de 0,03%, aos 100,957 pontos.

IPCA abaixo do esperado

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou no comparativo mensal. A inflação oficial do Brasil subiu 0,16% em junho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em maio, o índice de preços avançou 0,58% no mês.

No acumulado dos 12 meses, a inflação subiu 4,64% — ainda acima da meta perseguida pelo Banco Central (BC) de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

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As estimativas do mercado mostravam um avanço de 0,31% em junho, segundo a mediana apurada pelo Broadcast. No acumulado dos 12 meses, a mediana indicava alta de 4,79%, acima dos 4,72% registrados em maio, acima do teto da meta de inflação.

A desaceleração do IPCA também teve reflexo na curva de juros futuros, com os vértices de médio prazo recuando mais de 20 pontos-base. A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, chegou a cair 9 pontos-base na mínima intradia, a 13,900% ante 13,990% do fechamento anterior.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, caiu 22 pontos-base, a 13,980% ante 14,205% do fechamento anterior, na mínima intradia.

A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, bateu mínima a 14,210% ante 14,355% do fechamento da última quarta-feira (8), um recuo de 14 pontos-base.

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Para André Valério, economista sênior do Inter, a inflação de junho surpreendeu “muito além do esperado” e reforçou a visão positiva vista no IPCA-15. Para ele, a leitura mostrou que o processo inflacionário da economia brasileira não aparenta estar reacelerando e que as recentes altas foram realmente causadas pelas condições adversas vindas da alta do preço do petróleo.

Leonardo Costa, economista do ASA, também reforça a análise indicando que esse resultado mais positivo para a inflação era esperado apenas em julho. Na sua avaliação, a inflação subjacente também mostrou sinais de melhora, com a média dos núcleos registrando a menor variação mensal desde setembro de 2025.

Já Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, destaca que o resultado abaixo do esperado ajuda a alivioar um pouco a pressão na inflação corrente no curto prazo e contribui para as apostas de uma mais um corte de 25 pontos-base na Selic na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), no início de agosto.

As Opções do Copom, de acordo com a última atualização em 8 de junho, portanto antes do IPCA, apontavam 72% de chance de o Copom reduzir a Selic de 14,25% para 14% ao ano na próxima reunião. A probabilidade de manutenção era de 26,9%.

De olho no Oriente Médio

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O cenário geopolítico também continua no radar com os investidores aguardando novos desdobramento sobre o conflito no Oriente Médio, depois de uma nova escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã no início da semana.

Ontem (9), a CNN reportou que os mediadores Paquistão e Catar estão trabalhando para levar Washington e Teerã de volta à mesa de negociações.

Hoje, o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que o Irã pediu para continuar as conversas diplomáticas com os EUA e reiterou que o cessar-fogo “acabou”.

“A República Islâmica do Irã nos pediu para continuarmos as ‘negociações’. Concordamos em fazê-lo, mas os Estados Unidos declararam a eles, em termos inequívocos, que o cessar-fogo ACABOU!”, disse Trump em uma publicação na rede social Truth.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
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