Polícia Civil

Operação Carbono Oculto: Ex-executivo da Genial é alvo de buscas em nova fase da investigação

24 set 2026, 8:56 - atualizado em 24 set 2026, 9:20
Receita Federal e órgãos deflagram a maior operação contra o crime organizado da história do país em termos de cooperação institucional e amplitude (Imagem: divulgação)
(Imagem: divulgação)

As polícias Civil e Militar, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Receita Federal deflagraram, na manhã desta quinta-feira (24), a Operação Crédito Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo executivos do mercado financeiro.

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A ação cumpre mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas, em sete estados: 26 delas em São Paulo e uma no Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Entre os alvos, estaria Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, segundo informações da agência de notícias Reuters.

Em nota enviada ao Money Times, a Genial afirmou que Tupinambá não integra a diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição.

Segundo o banco, “todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição, foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP”. Confira o posicionamento completo logo abaixo.

Ocultação do controle de empresa sucroalcooleira

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Em comunicados, mas sem citar os nomes dos alvos da operação, a Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo apontaram que o grupo investigado teria usado um esquema de sobreposição de estruturas financeiras para ocultar a compra de uma usina de cana-de-açúcar no interior de São Paulo.

“O objetivo da ação [desta quinta] é desvendar a utilização de estruturas complexas de lavagem de capitais para a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país. Houve sobreposição de estruturas pela organização criminosa, para, inicialmente, ocultar o controle de uma empresa sucroalcooleira e, depois, a aquisição de uma distribuidora de combustíveis”, disseram as autoridades.

De acordo com os órgãos, uma primeira estrutura foi criada para ocultar e dissimular os reais proprietários da usina sucroalcooleira no interior paulista, identificada pela Operação Carbono Oculto, que foi deflagrada em agosto de 2025.

Posteriormente, outro operador financeiro, titular de fintechs e outras empresas, teria utilizado a infraestrutura societária e financeira do seu grupo empresarial não apenas para a movimentação financeira das empresas da organização criminosa, mas também para criar novas camadas de ocultação sobre a titularidade da usina sucroalcooleira, entre outras fraudes.

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“Embora a titularidade formal da empresa sucroalcooleira estivesse distribuída entre fundos de investimento e outras empresas aparentemente independentes, os elementos reunidos indicam que a estrutura foi organizada para preservar o controle econômico dela sem que os reais beneficiários fossem revelados”, afirmou a Receita.

Segundo o órgão, as análises econômico-financeiras também apontam que a aquisição da distribuidora de combustíveis foi viabilizada por outra estrutura financeira composta por banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada, organizada para distanciar os recursos ilícitos utilizados na operação e os seus verdadeiros financiadores e beneficiários econômicos.

A usina teria recepcionado em suas contas bancárias R$ 100 milhões enviados pela organização criminosa para financiar a aquisição.

Confira o modus operandi do suposto esquema:

Operação Crédito Oculto (Imagem: divulgação/ Receita Federal)
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Confira o posicionamento da Genial:

“O Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição.

Todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao COAF, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis.

No âmbito dessas operações, a Genial atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época.

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A partir do conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição. A Genial também contou com o apoio de especialistas externos para a revisão e o aprimoramento de seus processos e controles.

Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial renunciou à administração do Fundo Radford e manteve sua postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados.

A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários.”

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