Operação Carbono Oculto: Ex-executivo da Genial é alvo de buscas em nova fase da investigação
As polícias Civil e Militar, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Receita Federal deflagraram, na manhã desta quinta-feira (24), a Operação Crédito Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo executivos do mercado financeiro.
A ação cumpre mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas, em sete estados: 26 delas em São Paulo e uma no Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Entre os alvos, estaria Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, segundo informações da agência de notícias Reuters.
Em nota enviada ao Money Times, a Genial afirmou que Tupinambá não integra a diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição.
Segundo o banco, “todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição, foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP”. Confira o posicionamento completo logo abaixo.
Ocultação do controle de empresa sucroalcooleira
Em comunicados, mas sem citar os nomes dos alvos da operação, a Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo apontaram que o grupo investigado teria usado um esquema de sobreposição de estruturas financeiras para ocultar a compra de uma usina de cana-de-açúcar no interior de São Paulo.
“O objetivo da ação [desta quinta] é desvendar a utilização de estruturas complexas de lavagem de capitais para a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país. Houve sobreposição de estruturas pela organização criminosa, para, inicialmente, ocultar o controle de uma empresa sucroalcooleira e, depois, a aquisição de uma distribuidora de combustíveis”, disseram as autoridades.
De acordo com os órgãos, uma primeira estrutura foi criada para ocultar e dissimular os reais proprietários da usina sucroalcooleira no interior paulista, identificada pela Operação Carbono Oculto, que foi deflagrada em agosto de 2025.
Posteriormente, outro operador financeiro, titular de fintechs e outras empresas, teria utilizado a infraestrutura societária e financeira do seu grupo empresarial não apenas para a movimentação financeira das empresas da organização criminosa, mas também para criar novas camadas de ocultação sobre a titularidade da usina sucroalcooleira, entre outras fraudes.
“Embora a titularidade formal da empresa sucroalcooleira estivesse distribuída entre fundos de investimento e outras empresas aparentemente independentes, os elementos reunidos indicam que a estrutura foi organizada para preservar o controle econômico dela sem que os reais beneficiários fossem revelados”, afirmou a Receita.
Segundo o órgão, as análises econômico-financeiras também apontam que a aquisição da distribuidora de combustíveis foi viabilizada por outra estrutura financeira composta por banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada, organizada para distanciar os recursos ilícitos utilizados na operação e os seus verdadeiros financiadores e beneficiários econômicos.
A usina teria recepcionado em suas contas bancárias R$ 100 milhões enviados pela organização criminosa para financiar a aquisição.
Confira o modus operandi do suposto esquema:

Confira o posicionamento da Genial:
“O Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição.
Todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao COAF, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis.
No âmbito dessas operações, a Genial atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época.
A partir do conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição. A Genial também contou com o apoio de especialistas externos para a revisão e o aprimoramento de seus processos e controles.
Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial renunciou à administração do Fundo Radford e manteve sua postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados.
A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários.”