Cotas em queda, retorno em alta? O argumento da Empiricus para comprar FI-Infras agora
Um estudo da Empiricus, que analisou o desempenho dos fundos de infraestrutura (FI-Infras) desde 2021, identificou um padrão que chama a atenção dos investidores. A conclusão é especialmente relevante em um momento em que as cotas desses fundos acumulam quedas e levantam dúvidas sobre a atratividade da classe.
Para quem busca renda fixa isenta de Imposto de Renda (IR), no entanto, a correção recente pode representar uma oportunidade. Em vez de afastar investidores, o cenário atual pode abrir espaço para novas entradas ou para o reforço de posições.
Os melhores resultados acontecem quando o investidor compra em momentos de deságio, ou seja, quando as cotas são negociadas a preços abaixo do valor patrimonial dos fundos.
Essa conclusão ganha relevância neste momento, porque o mercado vive exatamente esse cenário.
- LEIA TAMBÉM: Estes fundos estão pagando IPCA+ 14% ao ano com isenção total de imposto de renda; vale a pena investir?
Atualmente, os seis fundos de infraestrutura recomendados pela Empiricus negociam abaixo do seu valor patrimonial. Na prática, estão com desconto em relação ao seu “valor justo”. Os deságios variam de 5% a mais de 13%.
Os FI-Infras são:
- BTG Dívida Infra (BDIF11),
- Capitânia Infra (CPTI11),
- Itaú Infra (IFRA11),
- Kinea Infra (KDIF11),
- Sparta Infra (JURO11) e
- Sparta Infra CDI (CDII11).
O canto dos dividendos
Os FI-Infras são fundos listados em bolsa que investem principalmente em debêntures incentivadas — que são títulos de dívida emitidos para financiar projetos de infraestrutura que contam com isenção de imposto de renda (IR) sobre os rendimentos.
No caso dos fundos listados, essa isenção vale para os dividendos e também para o ganho de capital com as negociações das cotas.
Assim como os fundos imobiliários, os FI-Infras têm uma estratégia de distribuição mensal de rendimentos, que faz com que boa parte dos investidores compre esses títulos de olho na renda mensal.
- SAIBA MAIS: FII vs. FI-Infra: qual o melhor fundo para uma estratégia de renda com dividendos e isenção de imposto?
Mas, essa característica tem se mostrado uma faca de dois gumes.
Se por um lado os pagamentos mensais, com isenção de IR, atraem os investidores que gostam de dividendos, por outro, quando os pagamentos diminuem, a reação é imediata: muitos investidores vendem as cotas, pressionando os preços na bolsa.
Foi exatamente isso que o estudo da Empiricus encontrou.
Em média, fundos que anunciaram redução de dividendos registraram um aumento do desconto da cota já no primeiro pregão após a divulgação. E o desconto continuou aumentando nas semanas seguintes.
Também existe uma relação direta entre o tamanho do corte e a reação dos investidores. Quanto maior a redução na distribuição, pior tende a ser o comportamento da cota.
Mas a remuneração dos FI-Infras vai muito além dos dividendos. E aqui entra a oportunidade do desconto.
A surpresa da cota
Ao avaliar um FI-Infra, os analistas da Empiricus afirmam que vale mais a pena olhar para o desconto no preço da cota do que para o volume de dividendos distribuídos nos meses anteriores.
Isso porque, quanto menor o preço da cota em relação ao valor patrimonial do fundo, maior tende a ser a valorização nos meses seguintes.
Dessa forma, além dos rendimentos mensais pagos pelos FI-Infras, o investidor também ganha com a valorização da cota — que também é isenta de IR.
A análise da Empiricus, considerando o histórico desde 2021, mostra que os retornos começaram a melhorar de forma consistente quando os deságios ultrapassaram 2%. E entre os fundos recomendados pela casa, o padrão apareceu de forma clara.
Quando o desconto ficava entre 2% e 5%, o retorno dos 12 meses seguintes superava os índices de referência do mercado entre 5 e 7 pontos percentuais.
No caso de deságios acima de 8%, a vantagem histórica foi ainda maior: na faixa de 7,5 a 11,8 pontos percentuais acima da referência em um ano.
Seletividade entre os fundos de infraestrutura
Mas calma, que nem todo desconto é uma oportunidade.
A Empiricus pondera no estudo que alguns FI-Infras negociam abaixo do valor patrimonial por problemas na carteira de crédito, na gestão ou na qualidade dos ativos em portfólio.
Por isso, olhar apenas para o tamanho do deságio pode levar o investidor a armadilhas. Afinal, o desconto pode ser justificado. É justamente por essa razão que a pesquisa separou a análise dos fundos recomendados do restante da indústria.
“A leitura prática não é ‘compre qualquer FI-Infra com mais de 2% de desconto’. O preço importa, mas a qualidade também”, diz o relatório.
É hora de comprar FI-Infras?
Há outro elemento que ajuda a explicar por que os FI-Infras continuam sob pressão.
A Empiricus destaca que a inflação oficial (IPCA) de agosto pode apresentar um valor negativo ou quase zerado por causa da queda dos preços dos alimentos e do bônus de Itaipu nas contas de energia.
Se isso acontecer, ativos indexados à inflação — que é o caso das debêntures incentivadas, que pagam IPCA+ taxa — podem distribuir menos rendimentos nos próximos meses.
Aqui, vale destacar que os meses de junho e julho já apresentaram desaceleração nas inflações mensais, de 0,16% e 0,07%, respectivamente. Esses valores já estão impactando os pagamentos de dividendos dos fundos.
Isso significa que as cotas dos FI-Infras podem continuar enfrentando volatilidade no curto prazo.
Mas é justamente aí que a casa enxerga uma oportunidade para quem investe pensando em horizontes mais longos.
“Vemos a abertura atual dos deságios como uma boa janela para montar ou reforçar posições nos FI-Infras recomendados. Não sabemos se as cotas já atingiram seus menores preços, mas não acreditamos que seja necessário acertar o fundo do movimento para encontrar um bom ponto de entrada”, diz o relatório.
Confira os fundos recomendados pela Empiricus:
| FI-Infra | Gestão | Cota patrimonial (R$) | Preço de mercado* (R$) | Ágio/Deságio |
| BDIF11 | BTG Pactual | 79,03 | 68,34 | -13,53% |
| CPTI11 | Capitânia | 89,80 | 81,90 | -8,80% |
| JURO11 | Sparta | 101,34 | 94,05 | -7,20% |
| IFRA11 | Itaú Asset | 95,60 | 89,50 | -6,38% |
| CDII11 | Sparta | 101,74 | 95,71 | -5,93% |
| KDIF11 | Kinea | 119,12 | 112,75 | -5,35% |
*Data de referência: 21 de agosto de 2026.
Fonte: Empiricus Research