Wall Street avança com alívio nos Treasuries e Oriente Médio no radar
Os índices de Wall Street encerraram a sessão desta terça-feira (25) em tom positivo com alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro e expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: +0,30%, aos 53.577,40 pontos – terceiro dia de ganhos consecutivos;
- S&P 500: +0,32%, aos 7.677,28 pontos;
- Nasdaq: +0,66%, aos 26.151,30 pontos.
“Os índices de Wall Street enfrentaram um pregão marcado por maior instabilidade e aversão a risco, refletindo a cautela dos investidores globais diantes das recentes ameaças de sanções econômicas ao Irã e da constrante reprecificação dos juros norte-americanos”, avalia Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
Em destaque, as ações da Dick’s Sporting Goods (NYSE:DKS) despencaram 30,68% (US$ 124,31), no pior desempenho diário desde o IPO, após a empresa reportar resultados aquém do esperado e apontar para desafios persistentes no mercado de calçados esportivos.
Já do lado positivo, as ações da Nvidia (NVDA) subiram 2,19% (US$ 213,05) à espera dos resultados trimestrais, que serão divulgados amanhã (26).
“O balanço deve ser bastante acompanhado pelos investidores diante do peso da empresa o mercado e das discussões em torno dos investimentos em inteligência artificial”, afirma Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue.
Alívio nos Treasuries
Os índices ganharam fôlego com a queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro pelo segundo dia consecutivo.
Perto do fechamento, o yield do título de 10 anos – referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito – operava a 4,629%, queda de 7 pontos-base ante 4,704% do fechamento anterior.
Já o yield do título de 30 anos – referência para hipotecas de longo prazo – caía a 5,166% ante 5,231% do fechamento de ontem (24), após disparar para o maior nível em quase duas décadas na semana passada.
O alívio ainda é dado pelo anúncio de intervenção no mercado de títulos pelo Tesouro norte-americano.
Na última quarta-feira (19), o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou uma operação ampliada de recompra de títulos de longo prazo, dobrando o volume destinado aos papéis com vencimentos entre 10 e 20 anos e entre 20 e 30 anos. A medida ficará em vigor entre 9 de setembro e 4 de novembro.
Segundo a CNBC, o órgão pretende usar a Conta Geral de quase US$ 1 trilhão para financiar as recompras de títulos do governo de longo prazo. A expectativa do mercado, por sua vez, era que o financiamento da medida fosse por meio da venda de títulos de curto prazo.
Para os estrategistas da Barclays, alta dos rendimentos não foi causada por preocupações dos investidores com a inflação, já que as taxas dos títulos indexados à inflação praticamente não se moveram. Eles acreditam que a alta é um sinal de que os investidores estão exigindo um prêmio de prazo maior para a dívida dos EUA, devido a vários fatores.
Um deles é o aumento dos déficits orçamentários. O Congressional Budget Office (CBO) espera que o déficit de 2026 chegue a US$ 2,1 trilhões, acima da estimativa anterior de US$ 1,9 trilhão, uma vez que as receitas com tarifas provavelmente ficarão abaixo das expectativas.
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Tarifas e Oriente Médio
No contexto geopolítico, o Canadá retaliou as tarifas impostas pelo governo Trump na véspera. Ontem (24), os EUA impuseram tarifas adicionais de 50% sobre automóveis, caminhões e autopeças fabricadas no território canadense, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2027.
Já hoje, o Canadá afirmou que igualará “dólar por dólar” as taxas. Sendo assim, o país impôs tarifas entre 15% a 50% sobre 700 produtos importados norte-americanos a partir de 8 de setembro.
No Oriente Médio, Omã e Irã firmaram um acordo, sem a participação dos EUA, para a criação de um corredor marítimo temporário no Estreito de Ormuz – via marítima responsável pelo escoamento de cerca de 20% de todo o petróleo mundial.
Pela manhã, a Al Arabiya informou que os EUA teriam proposto suspender o bloqueio e as sanções ao Irã em troca da reabertura de Ormuz e o fim dos ataques promovidos por aliados do Irã.
Dados econômicos
Os dados também ficaram no radar. A confiança do consumidor nos Estados Unidos caiu em agosto para o nível mais baixo em sete meses, para 89,4 neste mês — o menor nível desde janeiro —, ante 90,2 em julho em dado revisado para baixo, segundo o Conference Board.
Os economistas consultados pela Reuters previam que o índice ficaria em 90,2, contra os 90,8 de julho divulgado inicialmente.
Os investidores ainda operaram à espera de uma bateria de dados de inflação e de emprego ao longo da semana, além da expectativa pelo discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole na próxima sexta-feira (28).