Bilionários

J.K. Rowling: a mulher por trás de Harry Potter viveu a própria versão da história que escreveu

17 maio 2026, 9:34 - atualizado em 11 maio 2026, 12:39
Livros Harry Potter. Imagem: Edição CanvaPro/Divulgação
Livros Harry Potter. Imagem: Edição CanvaPro/Divulgação

Foi em uma viagem de trem, em 1990, que um mundo mágico começou a tomar forma na mente e nos rascunhos da autora britânica J.K. Rowling. De lá para cá, a criadora de Harry Potter construiu um dos universos mais lucrativos da história do entretenimento e se tornou uma das mulheres mais ricas do mundo e a única escritora a alcançar o status de bilionária principalmente por meio da escrita.

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Um feito que contrasta com o início de sua história: mãe solteira, vivendo de assistência social e enfrentando dificuldades financeiras profundas.

Antes do sucesso, vivia “tão pobre quanto alguém pode ser na Grã-Bretanha moderna sem estar em situação de rua”, disse ela em um discurso na Universidade Harvard.

Era, em muitos sentidos, como o menino que vivia em um quarto embaixo da escada, negligenciado, sem voz e sem recursos. Não por acaso, a trajetória de Rowling parece ecoar dentro de sua maior obra.

J.K. Rowling no fundo do poço

Rowling escreveu o primeiro livro enquanto vivia em um apartamento minúsculo em Edimburgo, desempregada e com uma filha pequena. Assim como Harry, ela sentia-se invisível e presa em uma realidade cinzenta antes de sua “carta de Hogwarts”.

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A experiência pessoal atravessa toda a obra. A depressão que enfrentou deu origem aos Dementadores, criaturas que drenam a felicidade — descritos por ela como “ausência oca de sentimentos”. Já o feitiço Expecto Patronum, que evoca memórias felizes para afastar essas figuras, nasce como uma metáfora da luta mental que ela teve que travar para continuar escrevendo.

O caminho até a publicação também esteve longe de ser mágico. Antes de ter seu manuscrito aceito pela pequena Bloomsbury Publishing, a autora ouviu 12 rejeições de grandes editoras.

A morte de sua mãe, quando ela tinha 25 anos, também deixou marcas profundas na narrativa.

“Meus livros são em grande parte sobre a morte”, disse ela ao Telegraph. A fala se reflete tanto na perda dos pais de Harry quanto na obsessão de Voldemort pela imortalidade. Ela disse: “eu entendo perfeitamente por que Voldemort quer vencer a morte. Todos nós temos medo dela”.

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Relacionar a vida de J.K. Rowling à obra é quase como decifrar um mapa emocional. A história de Harry é sobre um menino que escolhe ser bom apesar das marcas que carrega; a de Rowling é sobre uma mulher que escolheu criar apesar da miséria e de tudo indicar o contrário.

Do auge com Harry Potter às polêmicas

Rowling apareceu pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes em 2004, no auge da “Pottermania”.

Durante o lançamento dos últimos livros e dos filmes originais, ela se consolidou na lista até 2012, ano em que foi removida da lista por duas escolhas deliberadas: a filantropia e o pagamento de impostos.

A autora já doou mais de US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão) para causas sociais no apoio a crianças órfãs, a vítimas de abuso sexual e violência doméstica e ao tratamento de pacientes com doenças neurológicas — área ligada à doença que afetou sua mãe.

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Além da filantropia, Rowling paga a alíquota máxima de 45% de imposto do Reino Unido. A decisão de permanecer em seu país, em vez de optar por um “paraíso fiscal”, segundo ela, reflete um senso de responsabilidade e dever patriótico para contribuir com o bem-estar social de um Estado que a ajudou. Ela foi destaque na “Rich List” do Sunday Times por pagar cerca de £47,5 milhões (R$ 323 milhões) em impostos no Reino Unido durante o ano passado.

Em maio de 2025, a Forbes confirmou que Rowling retornou oficialmente ao clube dos dez dígitos com um patrimônio líquido de US$ 1,2 bilhão. O faturamento continua vindo do universo bruxo: royalties dos livros, filmes, jogos, parques temáticos e licenciamento global da marca.

Mesmo com o sucesso consolidado, sua trajetória passou por turbulências. A autora se envolveu em debates públicos sobre identidade de gênero, o que gerou críticas e desgastes, incluindo o distanciamento dos atores da saga.

Ainda assim, as polêmicas não foram Comensais da Morte para ela. Perspectivas atuais apontam que ela fatura anualmente entre US$ 400 e US$ 450 milhões com todas as frentes do “mundo bruxo”.

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Uma história lucrativa digna de novos capítulos

Mesmo após quase três décadas desde o lançamento de Harry Potter e a Pedra Filosofal, a história está longe de terminar.

Com a nova série produzida pela HBO Max, com lançamento previsto para dezembro, o universo criado por Rowling volta às telas com a promessa de adaptações mais detalhadas e projeção de duração de uma década.

A aposta não é apenas reforçar a paixão da legião de fãs, mas criar uma nova geração de Potterheads e se firmar como um caso raro de criação que atravessa formatos, gerações e ciclos de mercado.

Entre livros, adaptações e novas produções, o universo que começou em um rascunho de trem continua operando como um ativo global.

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