Petrobras (PETR4): XP eleva preço-alvo para R$ 63 e estima ganho de US$ 7,5 bilhões no fluxo de caixa com subsídios
A XP Investimentos elevou o preço-alvo das ações preferenciais da Petrobras (PETR4) de R$ 47 para R$ 63 – potencial de alta de 54% – e manteve recomendação de compra para os papéis. A revisão reflete uma visão mais construtiva para os preços do petróleo e incorpora o impacto das medidas adotadas pelo governo federal para conter o repasse da alta dos combustíveis aos consumidores.
Segundo a corretora, os programas de subsídios para diesel e gasolina podem gerar um benefício incremental de aproximadamente US$ 7,5 bilhões no fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) da Petrobras entre o segundo e o quarto trimestre de 2026. Desse total, cerca de US$ 6,4 bilhões viriam do diesel e US$ 1 bilhão da gasolina.
A XP afirma que, embora a Petrobras tenha mantido os preços domésticos dos combustíveis relativamente estáveis, limitando parte dos ganhos associados à alta do petróleo no mercado internacional, os subsídios criados pelo governo funcionam, do ponto de vista econômico, de forma semelhante a um aumento de preços. Isso permite que a estatal capture parte do benefício da valorização internacional da commodity.
Mantidas as regras atuais, a corretora projeta que a Petrobras poderá gerar cerca de US$ 17,7 bilhões em FCFE em 2026, considerando um Brent médio de US$ 90 por barril no restante do ano.
Revisão de petróleo
A revisão das estimativas também foi impulsionada por uma mudança nas premissas para o petróleo. A XP passou a trabalhar com Brent médio de US$ 86 por barril em 2026, US$ 75 em 2027 e US$ 70 a partir de 2028, acima da premissa anterior de US$ 65 por barril para o longo prazo.
Segundo a corretora, o mercado ainda espera uma queda acentuada do Brent caso os fluxos comerciais pelo Estreito de Ormuz sejam totalmente normalizados. A XP, contudo, considera mais provável uma normalização apenas parcial, o que manteria um prêmio de risco geopolítico incorporado aos preços da commodity.
Com as novas premissas, a instituição estima FCFE yield de 13% para a Petrobras em 2026 e 2027. A XP também calcula que preços do Brent entre US$ 65 e US$ 70 por barril já seriam suficientes para sustentar uma tese de investimento positiva para a companhia.
A corretora ressalta que parte dos investidores continua apostando em um cenário de sobreoferta global de petróleo, que poderia levar o Brent de volta para níveis próximos de US$ 60 por barril.
Embora não seja o cenário-base da XP, a instituição reconhece que essa hipótese representaria um risco relevante para suas estimativas e para o preço-alvo da estatal.
Outras revisões
Além da Petrobras, a XP elevou os preços-alvo de outras companhias do setor.
Para a PRIO (PRIO3), o novo preço-alvo passou de R$ 64 para R$ 78, indicando upside de 28%. Essa é a ação preferida da corretora no setor de óleo e gás.
No caso da Brava (BRAV3), a XP aumentou o preço-alvo de R$ 22 para R$ 25 por ação, com potencial de alta de 19%. Já para a PetroReconcavo (RECV3), a estimativa foi elevada de R$ 12 para R$ 13, o equivalente a um upside de 21%.