Petróleo sobe com preocupações sobre planos para reabertura do Estreito de Ormuz
Os preços do petróleo ampliam os ganhos nesta sexta-feira (7) diante de novas preocupações em torno da reabertura do Estreito de Ormuz, após o Irã, em coordenação com Omã, sugerir proibir a passagem de embarcações consideradas hostis pelo estreito e impor pesadas multas àquelas que violassem as regras propostas.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiam 92 centavos, ou 1,12%, para US$ 83,41 por barril às 5h02 (horário de Brasília). Os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, avançavam 61 centavos, ou 0,79%, para US$ 77,90 por barril.
Os contratos futuros de petróleo encerraram esta quinta-feira (6) com alta superior a US$ 3 por barril, depois que o Irã passou a analisar um projeto de lei para proibir a passagem de embarcações dos Estados Unidos e de Israel pelo Estreito de Ormuz, por onde normalmente transitava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) comercializados no mundo antes do início da guerra, no fim de fevereiro.
Os preços haviam recuado no início da semana, quando uma possível solução para o conflito em andamento parecia mais provável. No entanto, o Brent voltou a superar os US$ 80 por barril ontem, após ter fechado abaixo desse nível pela primeira vez desde 13 de julho. Ainda assim, ambos os contratos de referência caminham para encerrar a semana com perdas de cerca de 8%.
Analistas afirmaram que os acontecimentos desta semana indicam que as hostilidades entre o Irã e os Estados Unidos ainda não chegaram ao fim.
Um parlamentar iraniano informou que uma comissão do Parlamento está analisando um projeto preliminar de lei que prevê proibir embarcações dos Estados Unidos, de Israel e de outros países considerados hostis de transitarem pelo Estreito de Ormuz, além de aplicar multas de até 20% do valor da carga às embarcações que desrespeitarem as restrições propostas, segundo a agência de notícias Fars.
Os preços do petróleo estão reagindo ao plano preliminar divulgado pelo Irã para estabelecer condições de trânsito no Estreito de Ormuz, afirmou Lin Ye, vice-presidente de mercados de commodities e petróleo da consultoria Rystad Energy.
“Isso não significa que o mercado esteja precificando um acordo ruim, mas sim confirmando que qualquer solução que venha a surgir estabelecerá um corredor administrado e sujeito a condições e não um retorno ao fluxo normal de navegação”, acrescentou Ye.
Segundo uma alta autoridade iraniana, o país busca cobrar taxas entre 5% e 7% do valor das cargas transportadas pelos navios que utilizarem o estreito. Omã discute uma taxa em torno de 3%, enquanto Washington defende que não haja qualquer cobrança.
Quatro fontes do setor afirmaram que o acordo proposto não é facilmente viável devido às sanções impostas pelos Estados Unidos e às cláusulas restritivas dos contratos de seguro relacionadas a qualquer tipo de pagamento.
Embora os sinais emitidos nesta semana sobre um possível acordo “tenham provocado uma verdadeira montanha-russa no sentimento do mercado”, por enquanto “ainda não sabe o que precisa acontecer para que o acordo seja efetivamente fechado”, afirmou Vandana Hari, fundadora da consultoria de análise do mercado de petróleo Vanda Insights.
Enquanto isso, os houthis do Iêmen informaram que realizaram ataques com mísseis e drones contra “posições sauditas” nas províncias de Marib e Hadramout, no Iêmen.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a jornalistas ontem que acredita que a guerra terminará em breve.