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Plano da Raízen prevê conversão de 45% da dívida em ações a R$ 0,25 e amplia temor de diluição

28 maio 2026, 11:18 - atualizado em 28 maio 2026, 11:19
raízen
(Imagem: divulgação/RAÍZEN)

A Raízen (RAIZ4) divulgou nesta quinta-feira (28) detalhes da sua proposta de reestruturação financeira negociada com credores, incluindo um dos pontos mais sensíveis do plano: a conversão de 45% da dívida reestruturada em ações da companhia ao preço de R$ 0,25 por papel.

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O tema aparece nos materiais compartilhados pela companhia com grupos de credores financeiros no âmbito da recuperação extrajudicial e divulgados posteriormente ao mercado por meio de um processo de “blowout”, mecanismo utilizado para tornar públicas informações compartilhadas durante negociações privadas.

Segundo o documento, “45% da dívida total reestruturada” será convertida em ações da Raízen ao preço de R$ 0,25 por ação. Os credores receberão units compostas por uma ação ordinária (ON) e uma preferencial (PN).

Os materiais mostram que a dívida total da companhia soma R$ 75,3 bilhões, dos quais R$ 65,4 bilhões estão sujeitos à recuperação extrajudicial. Na prática, isso significa que cerca de R$ 29,4 bilhões poderão ser convertidos em ações da companhia ao preço de R$ 0,25.

Na avaliação de fontes do mercado, esse trecho ajuda a explicar a forte pressão recente sobre as ações da companhia, já que o plano implica potencial diluição relevante para os atuais acionistas. Às 11h, os papéis preferenciais da empresa caíam 19,05%, a R$ 0,34.

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Além da conversão da dívida em equity, a proposta também prevê um aporte de R$ 3,5 bilhões pela Shell no fechamento da operação, também ao preço de R$ 0,25 por ação. O material cita ainda um potencial aporte adicional de R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos.

Os outros 55% da dívida reestruturada seriam convertidos em novos instrumentos financeiros vinculados às operações de Raízen Energia e Raízen Combustíveis.

Raízen fala em mudanças em governança

O plano também prevê mudanças profundas na governança da companhia após a conclusão da reestruturação.

Segundo os materiais, o conselho de administração passaria a ter sete membros, sendo quatro indicados pelos credores e apenas três pelos atuais acionistas contribuintes. A presidência do conselho ficaria com um representante dos credores.

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A proposta também prevê a criação de um comitê de credores com poderes de supervisão sobre a implementação do plano e acompanhamento de decisões consideradas materiais.

Apesar disso, a companhia tenta sustentar ao longo da apresentação que seus ativos operacionais seguem sólidos e que o problema atual estaria concentrado na estrutura financeira.

A Raízen afirma que o mercado brasileiro de combustíveis continua sustentado pela forte dependência do transporte rodoviário e pela lenta eletrificação da frota nacional. Segundo a companhia, veículos elétricos devem representar apenas 5,8% da frota brasileira em 2033.

Melhora estrutural do setor

Outro eixo central da tese apresentada aos credores é a expectativa de melhora estrutural do setor de distribuição de combustíveis com o endurecimento regulatório contra fraudes tributárias e adulterações.

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“A expansão da participação de mercado dos independentes foi impulsionada principalmente por práticas ilegais nos últimos anos”, afirma a companhia na apresentação.

Segundo a Raízen, cerca de 20 pontos percentuais dos 41% de participação das distribuidoras independentes estariam associados a operadores considerados irregulares.

A companhia argumenta que operações recentes da ANP, Receita Federal e demais órgãos reguladores podem favorecer as grandes distribuidoras, permitindo recuperação de até 13 pontos percentuais de market share e expansão potencial de margem de R$ 74 por metro cúbico no setor.

Os materiais também destacam melhora recente de indicadores operacionais, incluindo ganho de participação de mercado, redução de despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A, na sigla em inglês) e recuperação de Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) por unidade.

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Na frente estratégica, a companhia reforça planos de expansão em negócios considerados de maior margem, como combustíveis premium, conveniência, lubrificantes e bioenergia.

Segundo a apresentação, a linha Shell V-Power já representa cerca de 20% do mix de gasolina da rede Shell no Brasil, enquanto o aplicativo Shell Box movimentou R$ 10,8 bilhões em transações.

A companhia também aposta no crescimento global da demanda por etanol e combustível sustentável de aviação (SAF), sustentando que o Brasil está “estrategicamente posicionado” para ampliar exportações de biocombustíveis.

“O crescimento da demanda global por etanol exigirá expansão da oferta brasileira”, afirma a companhia em um dos slides.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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