Ponte mais bonita do mundo fica no Brasil, tem estética ‘quase impossível’ e beira um ‘milagre estrutural’
Brasília é mundialmente famosa pelo projeto urbanístico e arquitetônico assinado por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. É raro encontrar algo que escape do traço do arquiteto cantado por Djavan. Foi apenas no início dos anos 2000 que a capital federal ganhou um ícone da engenharia capaz de rivalizar com os celebrados palácios e edifícios do Eixo Monumental: a Ponte Juscelino Kubitschek.
Chamada simplesmente de Ponte JK ou de Terceira Ponte pelos locais, a obra é muito mais do que uma via de tráfego de automóveis sobre o Lago Paranoá. Rapidamente, ela entrou para a lista de símbolos da cidade, que no próximo dia 21 de abril completa o 66º aniversário de sua fundação.
Apenas alguns meses depois de sua inauguração, 15 de dezembro de 2002, o projeto assinado pelo arquiteto Alexandre Chan foi alçado ao posto de ponte mais bonita do mundo segundo a Sociedade de Engenheiros da Pensilvânia.
O prêmio deveu-se, de acordo com os organizadores, ao fato de a construção da Ponte JK aliar uma “estética quase impossível a uma execução técnica que beira o milagre estrutural”.
Ponte JK: um movimento lúdico transformado em aço
O desenho que encanta turistas e especialistas nasceu de um gesto simples: o rastro de uma pedra quicando sobre a água.
O arquiteto Alexandre Chan buscou traduzir essa parábola em três arcos assimétricos que cruzam a pista diagonalmente.
No entanto, o que parece leve aos olhos representou um pesadelo logístico para os engenheiros.
Diferente das pontes convencionais, nas quais o peso é distribuído de forma vertical, o estaiamento da Ponte JK precisa suportar uma pressão que em algun pontos alcança 3.500 toneladas para permanecer em pé. Isso desafia as leis da física que regem construções de grande porte mais tradicionais.

O preço da ousadia e o reconhecimento global
Para sustentar tamanha audácia arquitetônica, a Ponte JK não economiza em robustez invisível.
As fundações da ponte mergulham 65 metros abaixo do nível da água, garantindo que os 1.200 metros de extensão suportem o fluxo constante de veículos e a força dos ventos.
Com um investimento aproximado de R$ 160 milhões, a ponte rapidamente se pagou em prestígio internacional.
Além do título de ponte mais bonita do mundo, ela recebeu a Medalha Gustav Lindenthal, uma das honrarias mais cobiçadas da engenharia mundial, e o Prêmio ABCEM pelo uso inovador do aço.

O novo horizonte de Brasília
Mais de duas décadas depois de sua inauguração, a Ponte JK consolidou-se como cartão-postal mais fotografado de Brasília, superando até mesmo os palácios da Esplanada em cliques nas redes sociais.
Seus detalhes, que incluem estacas inclinadas e uma iluminação cênica planejada, criam um espetáculo à parte durante o entardecer.
A Ponte JK representa a “nova Brasília”, uma cidade que, mesmo após a era de seus fundadores, continua a mostrar que o concreto e o aço podem ganhar a delicadeza de um salto sobre o espelho d’água, transformando a paisagem urbana em uma galeria de arte a céu aberto.
*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.