Por que as ações da Vale (VALE3) caem hoje?
As ações da Vale (VALE3) operam em queda desde o início do pregão desta terça-feira (22), em dia de aversão a risco doméstica e sinais de saída de fluxo estrangeiro.
Por volta de 14h40 (horário de Brasília), VALE3 caía 0,50%, a R$ 72,19. Na mínima intradia, os papéis da mineradora chegaram a recuar 1,06% (R$ 71,78). Acompanhe o Tempo Real.
O desempenho negativo acompanha a cotação do minério de ferro, com piora da perspectiva de demanda.
Na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE), na China, o contrato mais líquido da commodity metálica, com vencimento em janeiro, encerrou as negociações com recuo de 1,05%, a 708 yuans (US$ 105,70) por tonelada.
Os custos de frete marítimo com a disparada do frete spot (à vista) Brasil-China, próximo a US$ 40 por tonelada, também pesam sobre as ações VALE3.
“A Vale está passando por um momento mais complicado. O mercado vem digerindo o aumento do frete entre Brasil e China para níveis insustentáveis, o que vem prejudicando as ações nas últimas semanas”, afirmou Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital.
Em reunião com analistas na semana passada, o CEO da mineradora, Gustavo Pimenta, afirmou que cerca de 120 milhões de toneladas de minério de ferro podem se tornar economicamente inviáveis sob as condições atuais de mercado, sendo que uma parte relevante desse volume fica no Brasil.
Esse montante engloba cerca de 35 milhões de toneladas compradas de terceiros que dependem de contratos de frete favoráveis para o próximo ano, além de aproximadamente 5 milhões de toneladas de produção própria com custos mais elevados.
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Aquisição no radar
Mais cedo, a Vale confirmou a aquisição de participação minoritária de 30% na Ligga, por meio de aporte de capital de aproximadamente US$ 190 milhões.
A Ligga opera a mina Ferro Sul, localizada nos municípios de Parauapebas e Curionópolis, na região de Carajás, no Estado do Pará. A operação possui capacidade atual de aproximadamente 2 milhões de toneladas de minério de ferro por ano e plano de expansão para 8 milhões de toneladas anuais.
Na avaliação de Magno, da AW Capital, a aquisição foi estratégica. “A compra de participação reforça a expansão da Vale em operações que não necessitem de uma alta intensidade de capital, o que é positiv para a companhia”, disse.
“A operação também é interessante, pois amplia o acesso da mineradora no Pará e dá acesso, com exclusividade, para a compra do sinter feed, que é um tipo de minério de ferro na fabricação do aço”, acrescentou.
O Bradesco BBI, por sua vez, destaca que a transação deve ter impacto irrelevante na alavancagem da Vale.
“Estrategicamente, o negócio reforça a abordagem comercial mais ampla da Vale de construir um portfólio mais flexível, permitindo à empresa otimizar seu mix de produtos conforme as condições de mercado, ao mesmo tempo em que garante o suprimento incremental de alta qualidade com um desembolso de capital limitado”, avaliaram os analistas Rafael Barcellos e Renato Chanes, do BBI.