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Pré-Market: Jogo dos seis pontos

26 out 2018, 8:35 - atualizado em 26 out 2018, 8:35

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Olivia Bulla é jornalista e escreve diariamente sobre os mercados financeiros no blog A Bula do Mercado.

Caiu seis pontos a diferença entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad na disputa pela Presidência da República, na mais expressiva mudança entre as intenções de voto desde o início do segundo turno e a apenas três dias da votação nas urnas. Os números do Datafolha tendem a abalar os ativos brasileiros neste último pregão antes da eleição, mas não mudam o otimismo do mercado financeiro com a vitória do candidato de extrema-direita no domingo.

Segundo o instituto, enquanto Bolsonaro caiu três pontos, de 59% para 56% dos votos válidos, o petista subiu na mesma medida, indo de 41% para 44%, e reduzindo de 18 para 12 pontos a distância entre eles em uma semana. Já a rejeição a Haddad oscilou em baixa, de 54% para 52%, enquanto a do líder na pesquisa subiu três pontos, a 44%. A margem de erro é de dois pontos porcentuais.

A questão é que a diminuição da diferença é acentuada pelo cálculo que caracteriza os votos válidos. Como são apenas dois candidatos na disputa, quando um ganha votos, o outro perde na mesma proporção. No futebol, é o equivalente ao chamado “jogo dos seis pontos”, quando um time enfrenta um adversário direto e, se ganhar, conquista três pontos, evitando que o rival faça os mesmos três pontos.

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Assim, dependendo da circunstância, um pontos a mais pode valer muito para o resultado final, principalmente quando é a liderança que está em disputa. Daí, então, a importância dos eleitores sem candidatos – seja votando em branco, nulo ou aqueles que se mostram indecisos. Em termos totais, a taxa de 14% é recorde para o período que antecede o segundo turno da eleição.

O novo levantamento do Datafolha, feito entre quarta e quinta-feira com pouco mais de 9 mil eleitores, reflete um período de exposição negativa de Bolsonaro, após as denúncias de fake news pelo WhatsApp e de declarações polêmicas dele e de um dos seus filhos, dando o tom de um viés mais autoritário e menos democrático como forma de governo.

Tudo isso em meio à ausência de debates na TV entre os presidenciáveis e à redução na quantidade de disparos em massa de mensagens contra o PT nas redes sociais, desconectando certos públicos. A ver, então, os desdobramentos nesta reta final. A militância nas ruas, o noticiário eleitoral, as declarações durantes atos de campanha e as manifestações de apoio aos candidatos podem sim influenciar na intenção de voto.

Com isso, merece atenção a volta de Ciro Gomes ao Brasil, desembarcando na noite desta sexta-feira em Fortaleza. Terceiro colocado no primeiro turno das eleições presidenciais, o pedetista conquistou 13 milhões de votos e será recebido por um grande ato no Ceará. Há quem diga que o ex-ministro pode aproveitar o evento para declarar voto em Haddad.

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No sábado à noite, tem o último Datafolha e o último Ibope antes do veredicto das urnas. Esses levantamentos finais podem apontar se a migração de votos pode se estender até o domingo da eleição ou se, às vésperas da votação, a curva de intenção de votos poderá perder força ou mesmo estacionar.

Por mais que seja muito difícil tirar a diferença atual em apenas dois dias, os investidores devem redobrar a cautela nos negócios locais hoje, adiando as comemorações para segunda-feira, à espera do resultado efetivo. Ainda mais diante do sinal negativo que prevalece entre os ativos de risco no exterior, o que tende a potencializar a pressão no mercado doméstico, elevando a volatilidade.

Os índices futuros das bolsas de Nova York exibem perdas aceleradas nesta manhã, pressionados pela decepção com os balanços trimestrais de Google e Amazon. Enquanto a gigante de tecnologia frustrou com uma receita abaixo do esperado, a varejista eletrônica projetou vendas mais fracas no último trimestre deste ano – período marcado pelas festas.

Assim, os investidores resgataram as preocupações de que as empresas já atingiram o pico de crescimento dos lucros, em meio aos sinais de desaceleração do crescimento econômico global. Nesse processo, merecem atenção o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, encarecendo o crédito, e a guerra comercial contra a China, elevando os custos de produtos.

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Aliás, autoridades dos EUA disseram que as negociações comerciais com Pequim só serão retomadas quando o governo chinês apresentar propostas sólidas sobre as transferências forçadas de tecnologia e outras questões econômicas. Por ora, a Casa Branca está mais atenta às eleições legislativas (mid-term election), que acontecem no início do mês que vem.

Nos demais mercados, as principais bolsas europeias também amanheceram no vermelho, acompanhando o recuo acentuado em Wall Street e após uma sessão negativa na Ásia, onde as ações entraram em um mercado de baixa (bear market). A Bolsa de Tóquio caiu mais de 5% nesta semana, enquanto o iene subiu. Já as ações dos mercados emergentes caíram ao menor nível em 19 meses, na quinta semana seguida de perdas, em meio à retirada de quase US$ 7 trilhões em valor de mercado pelo mundo desde setembro.

Mas o dia ainda reserva um intenso vaivém, em meio à expectativa pela leitura preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no terceiro trimestre deste ano (9h30). A previsão é de ligeira desaceleração da atividade entre julho e setembro, após a expansão de 4,2% no trimestre anterior.

Se confirmados, os números podem reforçar os sinais de que o auge do crescimento econômico norte-americano já ficou para trás. Também merece atenção a leitura final deste mês do índice de confiança do consumidor nos EUA (11h). À espera desses números, o dólar e os juros projetados pelos títulos dos EUA (Treasuries) avançam, enquanto o cobre e o petróleo recuam.

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Ainda na agenda econômica desta sexta-feira, destaque para um novo discurso do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, às 11h. Ele deve repetir a fala de ontem, quando não trouxe novidades sobre a mudança no curso da política monetária na região da moeda única europeia, mas tende reforçar o alerta sobre os sinais de pressão inflacionária vindos dos aumentos dos salários. Segundo Draghi, não há motivos para duvidar que os preços ao consumidor está convergindo em direção à meta.

Internamente, saem dados de outubro sobre os custos na construção civil e a confiança do setor (8h), além dos números de setembro sobre a inflação ao produtor (9h) e as operações de crédito (10h30). Na safra de balanços, destaque para os resultados trimestrais da Usiminas, antes da abertura do pregão local.

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Editora-chefe
Olívia Bulla é editora-chefe do Money Times, jornalista especializada em Economia e Mercado Financeiro, com mais de 15 anos de experiência. Tem passagem pelos principais veículos nacionais de cobertura de notícias em tempo real, como Agência Estado e Valor Econômico. Mestre em Comunicação e doutoranda em Economia Política Mundial, com fluência em inglês, espanhol e conhecimento avançado em mandarim.
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Olívia Bulla é editora-chefe do Money Times, jornalista especializada em Economia e Mercado Financeiro, com mais de 15 anos de experiência. Tem passagem pelos principais veículos nacionais de cobertura de notícias em tempo real, como Agência Estado e Valor Econômico. Mestre em Comunicação e doutoranda em Economia Política Mundial, com fluência em inglês, espanhol e conhecimento avançado em mandarim.
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