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Pré-Market: “Não sei como Deus me colocou aqui”

28 jun 2017, 11:18 - atualizado em 05 nov 2017, 14:01

Olivia

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Olivia Bulla é jornalista e escreve diariamente sobre os mercados financeiros no blog A Bula do Mercado

O caminho divino de Michel Temer até a presidência da República, cargo do qual se orgulha e o comove, não deve ser suficiente para apaziguar o receio dos mercados domésticos quanto ao prolongamento da crise política e o efeito sobre a agenda do Congresso, após a primeira denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Afinal, o governo pode passar mais tempo se defendendo (ou atacando) do que avançando com as reformas, o que leva os investidores a se perguntarem do que vale manter o presidente?

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Temer subiu o tom e decidiu contra-atacar, usando a mesma estratégia já apresentada contra o empresário Joesley Batista, na tentativa de desqualificar, agora, Janot – o roteirista de uma “trama de novela”, uma peça de “ficção” sem provas concretas e que teria ganhado dinheiro da JBS. O presidente não poupou críticas ao procurador-geral, alegando ser vítima de infâmia, baseada em denúncias frágeis, feitas “por ilação” – o novo termo jurídico que passa a ser amplamente usado.  

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O novo pronunciamento, ontem, foi marcado pela escassez de afirmações capazes de neutralizar ou mesmo contrapor o conteúdo da denúncia por corrupção passiva. Mas o que chamou atenção foi outro aspecto da fala, quando o presidente disse não saber “como Deus me colocou aqui (na Presidência)”. Também foi destaque a ausência de lideranças do PSDB e dos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, respectivamente, no palanque montado em frente aos jornalistas.

Pouco depois, a Procuradoria-Geral da República (PGR) rebateu e disse que há “fartos elementos de prova” e que “ninguém está acima da lei”. Nesse embate, a única conclusão, por ora, é que o fatiamento da denúncia torna o processo mais doloroso e prolongado, mantendo o nível elevado das incertezas políticas e o trâmite extenso no Legislativo.

Atualmente, o presidente acredita possuir votos necessários para bloquear a peça no Legislativo, mais quanto mais tempo demorar a questão, maior tende a ser o desgaste. Além disso, o apoio de ao menos 342 deputados para arquivar a denúncia certamente custará mais caro, politicamente, afetando ainda mais o ajuste fiscal e a retomada da economia.

Assim, a esperada aprovação do texto da reforma trabalhista, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, hoje (10h), e pelo plenário, na semana que vem, pode até dar um respiro. Mas a reforma da Previdência é a principal aposta para colocar as contas públicas em ordem e essa matéria não deve entrar tão cedo na pauta.

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A avaliação é de que a estratégia escolhida pela Procuradoria-Geral da República liquidou de vez a possibilidade de a mudança nas regras de aposentadoria serem votadas neste ano. No calendário político, não haverá mais uma janela para o esforço de autopreservação dos parlamentares e o início do ano eleitoral, em outubro próximo.

Com isso, o governo já avalia as possibilidades e cogita aumentar o imposto sobre combustíveis (Cide) para cumprir a meta fiscal de 2017, deficitária em R$ 139 bilhões. Afinal, a situação fiscal do Brasil continua “gravíssima”, conforme o próprio ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, em meio à queda das receitas e ao aumento das despesas.      

Na agenda econômica do dia, saem a confiança da indústria em junho (8h), o índice de preços ao produtor em maio (9h) e a nota sobre as operações de crédito no mês passado (10h30). No exterior, destaque para dados do setor imobiliário norte-americano (11h) e sobre os estoques semanais de petróleo bruto e derivados nos Estados Unidos (11h30).

O barril do petróleo é negociado é baixa nesta manhã, na faixa de US$ 44, em meio aos sinais de excesso de oferta, o que pesa sobre os índices futuros das bolsas de Nova York, que também estão no vermelho. As principais bolsas europeias também recuam, em meio à disparada do euro, que tocou o maior nível em um ano em relação ao dólar, após o tom suave (“dovish”) na fala do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi.

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Já as declarações da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, de que a economia dos EUA é capaz de suportar um ciclo de aumento da taxa de juros mantêm a colocação de prêmios nos títulos norte-americanos (Treasuries), com os papéis registrando a maior alta desde janeiro. Por sua vez, o dólar perde terreno para a libra esterlina e os xarás australiano e canadense, ao passo que o yuan chinês subiu pelo segundo dia, em meio à intervenções do BC local (PBoC). As bolsas de Hong Kong e Xangai caíram 0,6%, cada.

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Editora-chefe
Olívia Bulla é editora-chefe do Money Times, jornalista especializada em Economia e Mercado Financeiro, com mais de 15 anos de experiência. Tem passagem pelos principais veículos nacionais de cobertura de notícias em tempo real, como Agência Estado e Valor Econômico. Mestre em Comunicação e doutoranda em Economia Política Mundial, com fluência em inglês, espanhol e conhecimento avançado em mandarim.
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Olívia Bulla é editora-chefe do Money Times, jornalista especializada em Economia e Mercado Financeiro, com mais de 15 anos de experiência. Tem passagem pelos principais veículos nacionais de cobertura de notícias em tempo real, como Agência Estado e Valor Econômico. Mestre em Comunicação e doutoranda em Economia Política Mundial, com fluência em inglês, espanhol e conhecimento avançado em mandarim.
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