Pressão inflacionária e petróleo em alta: como se beneficiar desse cenário? Especialista indica oportunidade
Os mercados globais começaram junho com algumas preocupações antigas e outras que voltaram ao radar nos últimos dias. Em meio ao cenário turbulento, que vai desde o recrudescimento das tensões no Oriente Médio às novas ameaças tarifárias, como os investidores podem se posicionar?
Este foi um dos assuntos abordado no Morning Call, do BTG Pactual, com participação do estrategista da Empiricus Research, Matheus Spiess, e do responsável pelo segmento de fundos indexados passivos e ETFs e sócio do BTG Pactual, Eduardo Miquelotti.
O que está no radar dos mercados em junho?
No campo geopolítico, o conflito no Oriente Médio ganhou desdobramentos com a nova rodada de ataques entre EUA e Irã, que elevou o preço do barril de petróleo do tipo brent ao patamar de US$ 98.
As preocupações tarifárias também voltaram à cena na última terça-feira (2), com a recente ofensiva norte-americana contra 60 parceiros comerciais.
A medida do governo Donald Trump prevê uma alíquota mínima de 10% para produtos vindos de economias como Canadá, México, União Europeia, Reino Unido e Taiwan, enquanto países como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Suíça e Brasil poderão ser submetidos a tarifas de 12,5%.
No caso brasileiro, o tema é ainda mais relevante por surgir logo após a recomendação de tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros no âmbito de outra investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), relacionada à Seção 301, na segunda-feira (1).
Em um ambiente como de pressão inflacionária e incertezas, Spiess vê o Banco Central brasileiro “forçado a pausar o ciclo de corte de juros”. O BTG Pactual, inclusive, revisou as projeções para a Selic terminal para 14,5%, o que representaria um corte de 50 pontos-base na próxima reunião, seguido de uma pausa.
“Existem muitas pressões que impedem aquela projeção de orçamento de corte de juros que existia no começo do ano. Não significa que não possamos retomar essa pauta em um segundo momento, mas, no curto prazo, na falta de uma âncora fiscal, precisamos de uma âncora monetária que segure as pontas”, disse Spiess.
Em um cenário como este, é natural que os ativos de risco sofram. No Brasil, o Ibovespa, que chegou a atingir os 198 mil pontos em abril, devolveu parte dos ganhos de 2026 e tenta sustentar os 170 mil pontos na tarde desta quarta-feira (3).
Por outro lado, o setor de tecnologia dos EUA, principalmente voltado à inteligência artificial continua a mostrar resiliência, destaca o analista Matheus Spiess.
Não por acaso, os principais índices norte-americanos, como Nasdaq e S&P 500, têm renovado as máximas históricas com frequência em meio ao ambiente conturbado.
Como os ETFs podem auxiliar os investidores em meio à nova onda de turbulência global?
Eduardo Miquelotti, do BTG Pactual, destaca que em um cenário como este, os ETFs podem ser uma boa maneira de se expor à diferentes teses sem sair da Bolsa brasileira.
No caso do investimento em empresas voltadas à inteligência artificial, Miquelotti cita o GENB11, um produto desenvolvido pelo BTG Pactual composto por BDRs das companhias americanas do setor de tecnologia.
“Estamos falando de [empresas de] semicondutores, como Nvidia, de pagamentos, como Mastercard e Visa, da parte de defesa e também empresas techs conhecidas, como Alphabet, Amazon, Google, Netflix, Apple e mais”, destacou.
Dessa maneira, continua o sócio do BTG Pactual, o investidor brasileiro consegue “investir em dezenas de companhias americanas, mantendo a exposição cambial e tendo uma parcela do investimento nesse perfil de ativos”.
Um outro ETF citado por Miquelotti é o CMDB11, que, até o fechamento de maio, registrou alta de 17% em 2026 – mais que o dobro do Ibovespa no período. Trata-se de um produto que investe em companhias brasileiras vinculadas ao ecossistema de commodities, como Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), Gerdau (GGBR4) e mais.
“Em um ambiente de pressão inflacionária e preço do petróleo brent mais alto, o investidor consegue se beneficiar desse movimento investindo de forma super acessível”, afirmou Miquelotti.
Entre os benefícios dos ETFs para os investidores, Miquelotti destaca o que chamou de “cinco pilares dos ETFs”:
- Vantagem tributária;
- Alta liquidez;
- Eficiência de custos;
- Transparência; e
- Flexibilidade.
“Os investidores brasileiros cada vez mais começaram a entender a funcionalidade dos ETFs, que basicamente são uma ferramenta para dar acesso à construção de um portfólio para qualquer perfil de ativo que ele queira acessar”, aponta.
Para assistir ao Morning Call completo, com todas as análises de Matheus Spiess e Eduardo Miquelotti, basta clicar no player abaixo: