Apostas

Quanto as bets custam ao Brasil? Estudo aponta impacto bilionário no PIB

17 set 2026, 12:48
apostas bets
(Imagem: iStock.com/Hirurg)

As bets podem ter custado até 1,1% do PIB brasileiro em 2025. A estimativa é que as apostas online tenham reduzido o consumo das famílias e retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica do Brasil no ano.

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A estimativa consta de estudo realizado pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA/USP).

A pesquisa aponta que a perda estimada corresponde a algo entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia em 2025.

O número é cerca de cinco vezes maior que estimativas do impacto do tarifaço americano sobre o PIB brasileiro.

“Mesmo levando em conta as estimativas dos empregos diretos e indiretos criados associados às bets, o quadro praticamente não muda”, conclui a pesquisa.

Bets levaram a perda de arrecadação bilionária

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O estudo estima que essa redução na atividade econômica resultaria em uma perda de arrecadação entre R$ 31,1 bilhões e R$ 54,8 bilhões.

“Descontando os cerca de R$ 9 bilhões arrecadados diretamente com as plataformas de apostas, o efeito líquido sobre as contas públicas ainda seria negativo em, no mínimo, R$ 22 bilhões, podendo chegar a até R$ 46 bilhões.”

Segundo os pesquisadores, esse valor corresponde de 10% a 20% de todo o orçamento destinado à saúde pública em São Paulo de 2025.

Na prática, o estudo conclui que a arrecadação gerada pelas bets não compensaria a perda de atividade econômica associada às apostas.

Estudo sugere possível impacto das apostas sobre o endividamento

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A pesquisa considera também que parte das apostas tenha gerado aumento do endividamento dos brasileiros.

Em um cenário extremo, no qual todo o dinheiro transferido para as bets tivesse sido financiado por crédito, os pesquisadores consideram que se o saldo do crédito para pessoa física subiu cerca de R$ 450 bilhões e a transferência líquida de R$ 62,5 bilhões tivesse sido financiada por novo crédito, isso corresponderia a cerca de 14% do aumento do endividamento das famílias em 2025.

De acordo com o estudo, é possível também que as bets tenham causado efeito negativo na distribuição de renda.

Partindo da premissa de que o 1% mais rico concentra cerca de 24% da renda nacional, essa transferência de dinheiro das famílias para as bets aumentou a concentração de renda dessa minoria do topo, entre 0,5% e 2,1%, dependendo de quem recebe os lucros das casas de aposta.

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“No primeiro caso, apenas retiramos os R$ 62,5 bilhões da renda dos 99% da base, enquanto no segundo adicionamos esse valor para o 1% mais rico. Mesmo no caso mais conservador, é um efeito significativo em um país em que a concentração de renda já é extremamente elevada”, dizem os pesquisadores.

A pesquisa concluiu que, do ponto de vista econômico, o problema das apostas não se limita aos efeitos individuais, mas também têm consequências macroeconômicas.

Isso porque, ao retirar renda das famílias, principalmente as de menor renda, as bets podem aumentar a desigualdade, reduzir a demanda e afetar o PIB de maneira relevante, além de reduzirem a arrecadação fiscal e refletirem nas contas públicas.

*Com informações da Agência Brasil

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*Sob supervisão de Ricardo Gozzi

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Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Atualmente, estagia como redatora de notícias no Money Times e no Seu Dinheiro. Antes, trabalhou no site da Empiricus, onde cobriu empresas e investimentos.
Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero. Atualmente, estagia como redatora de notícias no Money Times e no Seu Dinheiro. Antes, trabalhou no site da Empiricus, onde cobriu empresas e investimentos.

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