Quem é Fernando Cerimedo, estrategista de Milei e aliado de Eduardo Bolsonaro, preso na Bolívia
Preso por suspeita de envolvimento em um ataque a tiros contra sua ex-mulher, o influenciador argentino Fernando Cerimedo é um antigo aliado do presidente da Argentina, Javier Milei, e do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL). Cerimedo entrou na mira do Ministério Público e da Justiça brasileira após fazer transmissões ao vivo, em 2022, com informações falsas sobre o sistema eletrônico de votação do Brasil.
Ele foi preso nesta terça-feira (18) no Aeroporto Internacional Viru Viru, região de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Cerimedo foi preso por agentes da Força Especial de Combate ao Crime (Felcc) no terminal do aeroporto, quando se preparava para embarcar em um voo para a Argentina.
Proprietário do canal e portal La Derecha Diario, Cerimedo se aproximou do clã Bolsonaro durante a campanha presidencial passada. Após o segundo turno das eleições presidenciais, fez uma transmissão ao vivo para apresentar um suposto relatório que colocava dúvida as urnas eletrônicas brasileiras.
Em uma transmissão ao vivo, em novembro de 2022, dias após o segundo turno, Cerimedo apresentou um documento apócrifo que constatava falsamente que as urnas tinham uma disparidade na distribuição dos votos: os modelos fabricados antes de 2020 não teriam sido auditados e davam mais votos para Lula na comparação com as urnas mais recentes, o que segundo o influenciador seria “estatisticamente impossível de justificar”.
A tese, amplamente refutada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), serviu como combustível para a mobilização do bolsonarismo contra o resultado do pleito. O caso levou a Polícia Federal a indiciá-lo no âmbito dos inquéritos que investigaram a tentativa de golpe de Estado.
Segundo os investigadores, o argentino teria integrado o chamado “Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral”, utilizado pela organização criminosa para propagar conteúdos sem sustentação técnica com o objetivo de desacreditar as instituições brasileiras.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu, no entanto, não denunciar Cerimedo. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumentou que, embora comprovada a divulgação de informações infundadas pelo estrategista político, as apurações não conseguiram demonstrar se ele agiu com conhecimento e adesão ao projeto de golpe.
Em julho de 2026, Cerimedo e Eduardo Bolsonaro voltaram fazer transmissões sobre o tema, logo após Flávio Bolsonaro (PL), irmão de Eduardo e candidato a presidente, voltar a atacar o sistema eletrônico de votação no Brasil em reunião com diplomatas no Brasil.