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Boi gordo: Recuperação da China é fundamental para os preços e exportações em 2024, diz analista

20 set 2023, 10:27 - atualizado em 20 set 2023, 11:10
boi gordo china
Especialista enxerga o momento atual como uma boa oportunidade para realizar investimentos no mercado do boi gordo (Foto: Flavia Fiorini/Embrapa Territorial)

Nesta terça-feira (20), aconteceu o segundo dia da sexta edição da Agri Week, evento da Safras & Mercado com perspectivas para o agronegócio na nova safra 2023/2024.

No painel “Quais as consequências do crescimento do abate de matrizes em 2023?”, o analista de proteína animal da consultoria, Fernando Iglesias, citou os fatores que mexem com o mercado do boi gordo.

Segundo ele, o principal destaque fica por conta do derretimento da economia da China, que fez com que os preços da arroba do boi gordo no Brasil, assim como os preços de exportação pagos pelos chineses, recuassem com força ao longo de 2023, em torno de 30%.

Dessa maneira, para o analista, a desvalorização do câmbio pode ser benéfico para as exportações do país.

“As medidas adotadas pela China para a recuperação da sua economia, com oferta de juros mais baixos por exemplo, são fundamentais para termos melhores preços para a arroba do boi gordo, assim como para exportações em 2024. Vale lembrar que a China responde por mais de 50% das exportações de carne bovina do Brasil”, explica.

Iglesias explica que a piora do câmbio na China impacta a demanda do país por commodities. z”Os importadores chineses estão tendo que reduzir preços em dólar. O preço da carne bovina pago pela China cai de US$ 7500/t no ano passado para US$ 4500/t em 2023. Assim, se os preços caem, a receita de importação também cai, sendo esse o motivo pelo forte recuo do boi gordo ao longo do ano”, diz.

Escalas de abate em 2023

No mercado doméstico, o analista ressalta que os preços da arroba tem se recuperado em setembro, em função das escalas de abate mais apertadas, o que fez com que os frigoríficos comprassem um maior volume de gado. 

 

“2023 é pautado por um grande descarte de fêmeas e isso deve trazer consequências no curto, médio e longo prazo. No curto prazo, esse descarte explica essa queda nos preços do boi gordo. Dessa forma, um maior volume de fêmeas abatidas, resulta em uma maior oferta de carne bovina”, discorre.

Oportunidade de investimentos

Para Iglesias, apesar do cenário mais difícil para os pecuaristas, o momento atual aponta para uma oportunidade de investimentos, com os preços do bezerro em patamares mais baixos.

“Para quem trabalha com recria e engorda, 2023 conta com preços de reposição bem descontados, entre R$ 1900 – R$ 2000 por cabeça em São Paulo. É difícil para muitos produtores pensarem em investir, mas nós projetamos preços mais altos em 2024, já que no médio e longo prazo, esse descarte de matrizes que aconteceu em 2o23, deve fazer com que o ritmo de nascimento de animais não acompanhe a demanda por animais de reposição e os preços vão entrar naquela fase de maior propensão de reajustes”, analisa.

Por fim, Iglesias ressalta ainda que o sorgo tem surgido como uma alternativa mais interessante do que o milho para nutrição do gado. “Em Minas Gerais, por exemplo, enquanto a saca de milho é negociada por R$ 50, o sorgo é vendido entre R$ 35 – 37, sendo uma boa alternativa”, pontua.

Confira a transmissão completa no link.

Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural, onde atuou como editor do Rural Notícias, programa de TV diário dedicado à cobertura do agronegócio. Por lá, participou da produção e reportagem do Projeto Soja Brasil, que cobre o ciclo da oleaginosa do plantio à colheita, e do Agro em Campo, programa exibido durante a Copa do Mundo do Catar e que buscava mostrar as conexões entre o futebol e o agronegócio.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural, onde atuou como editor do Rural Notícias, programa de TV diário dedicado à cobertura do agronegócio. Por lá, participou da produção e reportagem do Projeto Soja Brasil, que cobre o ciclo da oleaginosa do plantio à colheita, e do Agro em Campo, programa exibido durante a Copa do Mundo do Catar e que buscava mostrar as conexões entre o futebol e o agronegócio.
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