Renda fixa: Onde a TAG está apostando para ganhar com a queda dos juros após primeiro turno das eleições
A TAG Investimentos está aumentando a sensibilidade de sua carteira às oscilações dos juros e pretende ampliar a exposição a prefixados, diante da expectativa de que uma melhora das perspectivas fiscais possa abrir espaço para cortes da taxa Selic. A estratégia aparece na carta de outubro da gestora, que vê novas oportunidades nos ativos brasileiros após o primeiro turno das eleições.
“Mantemos posição muito favorável para inflação e estamos aumentando o duration da carteira de títulos IPCA. No pré-fixado também pretendemos aumentar exposição”, afirma a TAG.
Na prática, aumentar a duration significa tornar a carteira mais sensível às mudanças nas taxas de juros – movimento que pode ser feito por meio de títulos com vencimentos mais distantes. A aposta permite capturar uma valorização maior dos papéis caso as taxas recuem, mas também amplia as perdas se elas subirem.
A leitura da gestora combina o enfraquecimento da economia e as dificuldades no crédito com a possibilidade de uma mudança na condução das contas públicas em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Segundo a TAG, um governo comprometido com o ajuste fiscal poderia criar condições para o Banco Central reduzir os juros. A concretização desse cenário, porém, depende das medidas econômicas que forem apresentadas e executadas.
Como a queda dos juros pode favorecer os títulos
Nos títulos prefixados, o investidor conhece a taxa de remuneração no momento da compra. Já nos papéis ligados ao IPCA, o retorno combina a variação da inflação com uma taxa fixa.
Além dessa remuneração, os dois tipos de investimento podem registrar ganhos com a marcação a mercado, mecanismo que atualiza o preço dos títulos conforme as condições de negociação.
Quando as taxas exigidas pelo mercado caem, os papéis comprados anteriormente com remuneração mais elevada tendem a ganhar valor. Quanto maior a sensibilidade do título aos juros, maior tende a ser o efeito dessa mudança sobre seu preço.
Esse movimento pode beneficiar quem vende antes do vencimento. O caminho inverso também vale: uma alta das taxas pode reduzir o valor do investimento e provocar perdas em uma venda antecipada.
A carta não detalha os vencimentos dos títulos, o tamanho das posições ou a divisão entre dívida pública e privada. A estratégia, portanto, não representa uma indicação de um papel específico do Tesouro Direto.
O fiscal precisa sair do discurso
Embora veja uma melhora nas perspectivas para os ativos brasileiros, a TAG ressalta que o resultado eleitoral não garante a implementação de um ajuste nas contas públicas.
“Favorito não é programa”, afirma a gestora. Na carta, a casa lembra que, em junho, não identificava disposição para um ajuste fiscal nem em Luiz Inácio Lula da Silva nem em Flávio Bolsonaro.
A avaliação agora é que uma eventual mudança de governo amplia a possibilidade de uma condução econômica mais favorável, mas o próximo presidente continuará enfrentando dificuldades para aprovar medidas no Congresso e acomodar as despesas públicas.
“Flávio tem que provar ao mercado que o seu fiscalismo não é da boca para fora”, diz a equipe da TAG no documento.
A gestora também alerta que a prioridade dada à agenda política será relevante. Caso pautas como anistia e impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) consumam o espaço das medidas econômicas, a expectativa favorável poderá ser revista.
Bolsa também ganha espaço; real fica atrás
A visão mais construtiva para os juros também leva a TAG a aumentar sua posição em ações brasileiras. A gestora considera possível um rali de alguns meses, condicionado às sinalizações econômicas do candidato e ao ambiente internacional.
Entre as classes citadas, as posições em real são as menos preferidas. A avaliação é que uma redução do diferencial entre os juros brasileiros e os do exterior pode diminuir a atratividade da moeda.
Isso não significa que a TAG descarte uma valorização do real. A leitura é que a moeda pode apresentar ganhos menores, ajustados pelo risco, em comparação com as demais oportunidades.