PIB

Ressaca econômica à vista? PIB cresce, mas acende alerta para desaceleração

01 set 2026, 11:32
Banco Central, Agenda, Mercados, Economia. Brasil, IPCA, Relatório Focus, EUA, CPI
Temporada de balanços, IPCA de janeiro e CPI dos EUA são destaque na próxima semana (Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, ligeiramente acima da expectativa de 0,4% do mercado. Apesar da alta, a composição dos dados acendeu um alerta entre os economistas: os setores mais ligados à demanda doméstica perderam força, enquanto o avanço da economia ficou concentrado na agropecuária e na indústria extrativa.

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Para a XP, os números antecipam uma espécie de “ressaca econômica”. A corretora avalia que os efeitos dos juros elevados estão se espalhando pela atividade e espera que a economia fique próxima da estagnação no segundo semestre.

“O PIB segue em trajetória de crescimento, mas a demanda doméstica enfraquece”, afirma a XP. Segundo a instituição, embora o resultado cheio tenha superado as projeções, a composição apresentou um viés mais favorável à flexibilização da política monetária.

O ASA compartilha diagnóstico semelhante. Para Leonardo Costa, economista da instituição, o resultado veio em linha com a projeção da casa, mas foi “qualitativamente mais fraco”.

Os segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico, como o consumo das famílias, a indústria de transformação e a construção, continuaram perdendo dinamismo. Em contrapartida, a agropecuária e a indústria extrativa sustentaram uma parcela relevante do crescimento.

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Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, também destacou que a economia ainda avança apoiada pela renda e pelos serviços, estes últimos beneficiados pelos estímulos do governo e pelo baixo desemprego.

Agro garante surpresa positiva

O principal ponto positivo veio da agropecuária, que cresceu 2,8% no segundo trimestre, após avançar 2,3% nos três primeiros meses do ano. Segundo a XP, o resultado foi impulsionado principalmente pelo aumento da produção de soja, mesmo diante da elevada base de comparação de 2025.

A indústria extrativa também se destacou, com crescimento de 3,4%, beneficiada pela maior produção de petróleo e gás. O desempenho ajudou a compensar a fraqueza dos demais segmentos industriais.

Para Padovani, o PIB ainda cresce justamente por causa da contribuição da agropecuária e da atividade extrativa. Esse suporte, porém, deve perder força nos próximos meses.

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A XP espera uma contribuição menos favorável do setor agropecuário no terceiro trimestre e também cita os possíveis efeitos do El Niño sobre a produtividade das safras. O BV também prevê diminuição do impulso vindo do campo.

Consumo das famílias decepciona

Na ponta negativa, o consumo das famílias caiu 0,4% em relação ao primeiro trimestre. A XP esperava crescimento de 0,6%.

A retração ocorreu apesar do mercado de trabalho apertado, do crescimento da renda real e das medidas de estímulo adotadas pelo governo. Para os economistas, o resultado mostra que os juros elevados, a inadimplência e o maior comprometimento da renda já começam a pesar sobre as decisões dos consumidores.

Economistas esperam terceiro trimestre mais fraco

O consenso entre as instituições é que a economia continuará crescendo no terceiro trimestre, mas em ritmo menor. XP, ASA e Banco BV enxergam uma combinação de menor contribuição da agropecuária com efeitos mais disseminados dos juros elevados.

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O acompanhamento da XP para o terceiro trimestre está próximo de zero, abaixo dos 0,3% previstos no cenário-base da corretora. A instituição vê risco de baixa para sua projeção de crescimento de 2% do PIB em 2026. Para 2027, a estimativa é de expansão de apenas 1%.

O ASA projeta alta de 0,2% no terceiro trimestre e reduziu sua previsão para o PIB de 2026 de 2% para 1,8%. Para 2027, a instituição espera crescimento de 1,5%.

O Banco BV também prevê avanço de 0,2% entre julho e setembro, compatível com sua projeção de crescimento de 1,9% da economia brasileira em 2026.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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