MDB: Nunes defende interferência, Ramuth fala em disputa política e Baleia Rossi evita comentar ação dos EUA sobre PCC e CV
O prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta sexta-feira (29) que não vê problema em uma eventual interferência dos Estados Unidos contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) no Brasil, após o governo americano classificar oficialmente as duas facções como organizações terroristas. “Que fique muito à vontade”, disse.
As declarações foram feitas após almoço empresarial promovido pelo Grupo Lide, em São Paulo (SP). Também participaram do evento o ex-presidente da República Michel Temer (MDB), o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, e o vice-governador do Estado, Felício Ramuth (MDB).
A medida foi anunciada à revelia do governo Luiz Inácio Lula da Silva e após pedido expresso e apoio político do pré-candidato de oposição ao Palácio do Planalto e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Apoiado por Nunes à Presidência, Flávio comemorou a decisão. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também elogiou a medida nas redes sociais.
“Se for para interferir, para levar integrantes do PCC e do Comando Vermelho pra cadeia, que fique muito à vontade”, disse o prefeito em coletiva de imprensa. “Lamento que o governo federal, ao invés de fazer uma atuação firme com relação a esse tema, tente minimizar colocando na cabeça das pessoas algo que é totalmente incompreensível de dizer sobre soberania”, completou Nunes.
No mesmo evento, o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, também apoiador de Flávio Bolsonaro, avaliou que a decisão dos Estados Unidos deve servir de apoio para as investigações das duas facções no Brasil e que os governos falharam para combatê-las. Ramuth admitiu que há uma disputa política relacionada à decisão do governo norte-americano.
“Nós estamos em um momento político delicado. Então, por conta do momento, o governo pode querer usar esses argumentos, enquanto devia aproveitar essas novas possibilidades para avançar no combate. Aí, de fato, eles vão entregar alguma coisa melhor para o cidadão, que é o nosso objetivo”, disse Ramuth.
“Politicamente, acho que ele (Flávio Bolsonaro) se deu bem e, obviamente, toda ação que você fizer dentro de um momento eleitoral sempre vai ter uma reação contra”, completou o vice-governador.
Já Baleia Rossi, presidente nacional do MDB – partido que apoia o governo Lula em nível nacional e é aliado de Flávio Bolsonaro em São Paulo e outros Estados – ficou em cima do muro e evitou opinar sobre a decisão e sobre a polêmica entre os pré-candidatos a presidente.
“Eu não tenho informações para poder fazer uma análise porque acaba nessas discussões que misturam esses fatos com a eleição. A gente não sabe o que é verdade, o que não é verdade. Enfim, eu acho só que nós temos que unir aí a todos, unir o Brasil. O Congresso Nacional, eu tenho certeza, está preparadíssimo para isso, para enfrentar com muita dureza para que a gente vença essa batalha”, afirmou.