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Balde de água fria: Sanepar (SAPR11) deve reverter precatório integralmente aos usuários, decide Agepar

23 jun 2026, 20:26 - atualizado em 24 jun 2026, 10:11
Sanepar
(Imagem: Sanepar/Divulgação)

A Sanepar (SAPR11) informou, nesta terça-feira (23), que o Conselho Diretor da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná (Agepar) deliberou que a totalidade do montante oriundo de um precatório de R$ 4 bilhões deve ser destinada aos usuários da companhia, e não à companhia, como o mercado esperava. Isso confirma uma decisão que havia sido tomada em março deste ano pela agência.

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O recurso era muito aguardado pelos investidores por que poderia ser fonte de um dividendo extraordinário elevado.

Em comunicado, a Sanepar reiterou posição contrária aos termos da decisão regulatória e afirmou que adotará todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis para resguardar seus direitos e interesses.

Segundo a deliberação, a destinação do recurso será dividida em duas frentes: 50% para investimentos não onerosos e 50% para descontos nas faturas. Na prática, isso resultará na aplicação de um desconto de 25% na tarifa mínima de até 5 m³, válida para os serviços de água e esgoto, de forma linear entre todos os usuários e segmentos.

A Agepar também definiu que os valores aplicados, tanto em forma de desconto quanto em investimentos realizados após 1º de setembro de 2025 — data do ingresso do recurso no caixa da companhia — deverão ser atualizados pela taxa regulatória WACC (Custo Médio Ponderado de Capital), líquida de impostos, atualmente fixada em 8,08% ao ano em termos reais.

O impacto da Agepar

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Pela proposta da agência, o montante será integralmente direcionado para investimentos não onerosos e/ou descontos nas faturas.

O precatório — que nada mais é do que uma dívida da União — é fruto de ação judicial movida contra o governo federal sobre imunidade tributária recíproca de IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica).

Já existia um direcionamento do regulador indicando que pelo menos 75% dos ganhos com a recuperação de créditos fiscais deveriam ser repassados para a modicidade tarifária (ou seja, aos consumidores).

Agora, porém, a nova proposta praticamente elimina a chance de que os 25% restantes — ou parte deles — fossem utilizados para pagamento de dividendos.

CEO do Sanepar: decisão sobre o precatório era fundamental

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Em entrevista ao Money Times, o CEO da Sanepar, Wilson Bley, afirmou que a decisão sobre o precatório era fundamental para a distribuição de proventos extraordinários.

Segundo ele, a companhia esperava que fosse aplicada a regra antiga – que destinava 75% dos recursos à redução tarifas e ao consumidor, e os demais 25% à própria empresa.

Diante da negativa, resta a empresa tentar pleitear que valha a solução estabelecida quando foi feito o registro contábil.

“É o dever do gestor que o mínimo que pode ser apropriado seja aquilo que colocamos nos nossos registros contábeis quando valia a regra de 75%-25%”, disse o CEO.

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Editor
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.

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