Santander (SANB11): Analistas iniciam trabalho de ‘poda’ após pior resultado em 3 anos, mas JPMorgan cita 1 gatilho que poderia fazer ação disparar
O Santander (SANB11) abriu a safra de resultados dos bancões com um cartão de visitas nada agradável: lucro abaixo do esperado, aumento da inadimplência e piora das margens.
O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) despencou para 12% e agora está abaixo do custo de capital, de 14,25%. Também indicou que a vida será mais ‘difícil’ e que uma melhora pode vir apenas em 2027.
Diante dessa enxurrada de notícias negativas, os analistas reajustam suas projeções. Um deles foi o JPMorgan, que cortou a recomendação de compra para neutra e reduziu o preço-alvo para R$ 30.
Segundo a equipe, o banco lucrará menos, enquanto a própria administração vê um período ‘nebuloso’ pela frente.
O JPMorgan lembra que o banco está barato, negociado a 1,0 vez o valor patrimonial. Porém, os riscos impedem os analistas de terem uma visão mais positiva.
Além disso, o banco americano projeta um retorno sobre o patrimônio abaixo do custo de capital pelos próximos um a dois anos. O ciclo de crédito também não ajuda. “Manter uma postura de espera (sidelines) é a melhor estratégia, em nossa visão.”
Santander: Menores lucros
O Santander aproveitou o momento para ‘passar a faca’ nas estimativas de lucro para 2026 e 2027, reduzindo as projeções em 13% e 14%, respectivamente, deixando-as entre 13% e 14% abaixo do consenso da Bloomberg.
Para os analistas, haverá:
- recuperação de receita mais lenta, com NII (margem financeira) e tarifas crescendo apenas cerca de 2% em 2026;
- custo de risco mais elevado, em torno de 4,9% (sobre a média da carteira de crédito), ante cerca de 4,6% em 2025.
Além disso, juros elevados por mais tempo também podem desacelerar a recuperação do NII de mercado, “enquanto um EBT (lucro antes dos impostos) baixo não é ideal para a utilização de DTA (créditos tributários diferidos)“.
Único gatilho
O JPMorgan lembra ainda que um eventual fechamento de capital promovido pelo Santander Espanha poderia fazer as ações dispararem.
Vira e mexe, esse assunto volta à tona, principalmente quando o papel cai. Em tese, isso tornaria mais barato para a controladora retirar o banco da bolsa, especialmente considerando que o prêmio das ações do Santander Espanha em relação à SANB11 está entre os mais elevados da história.
O free float (percentual das ações em circulação no mercado, fora das mãos do controlador) representa apenas 10% do capital. Em 2014, o banco já tentou fechar o capital.
Ainda assim, o JPMorgan afirma que, diante da perspectiva desafiadora para o médio prazo, “não temos certeza se esse risco poderá se concretizar em breve”.
JPMorgan não é o único
O BB Investimentos também reduziu o preço-alvo do banco para R$ 31,60, mantendo recomendação neutra.
Segundo os analistas, embora reconheçam a capacidade do Santander de continuar executando sua agenda de eficiência, crescimento seletivo e diversificação de receitas, “entendemos que ainda falta visibilidade sobre uma eventual inflexão positiva do momento operacional”.
“Até que tenhamos sinais mais claros de melhora sustentável da margem financeira e do custo do crédito, acreditamos que uma postura mais cautelosa permanece adequada.”
O BB já destacava a falta de vetores claros para uma aceleração da rentabilidade. Porém, os resultados do segundo trimestre de 2026 sugerem que uma eventual inflexão pode estar mais distante do que o esperado. Parte relevante dessa avaliação decorre do ambiente macroeconômico.