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Santander (SANB11): Analistas iniciam trabalho de ‘poda’ após pior resultado em 3 anos, mas JPMorgan cita 1 gatilho que poderia fazer ação disparar

30 jul 2026, 12:33 - atualizado em 30 jul 2026, 12:34
Santander
(Imagem: iStock/caio acquesta)

O Santander (SANB11) abriu a safra de resultados dos bancões com um cartão de visitas nada agradável: lucro abaixo do esperado, aumento da inadimplência e piora das margens.

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O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) despencou para 12% e agora está abaixo do custo de capital, de 14,25%. Também indicou que a vida será mais ‘difícil’ e que uma melhora pode vir apenas em 2027.

Diante dessa enxurrada de notícias negativas, os analistas reajustam suas projeções. Um deles foi o JPMorgan, que cortou a recomendação de compra para neutra e reduziu o preço-alvo para R$ 30.

Segundo a equipe, o banco lucrará menos, enquanto a própria administração vê um período ‘nebuloso’ pela frente.

O JPMorgan lembra que o banco está barato, negociado a 1,0 vez o valor patrimonial. Porém, os riscos impedem os analistas de terem uma visão mais positiva.

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Além disso, o banco americano projeta um retorno sobre o patrimônio abaixo do custo de capital pelos próximos um a dois anos. O ciclo de crédito também não ajuda. “Manter uma postura de espera (sidelines) é a melhor estratégia, em nossa visão.”

Santander: Menores lucros

O Santander aproveitou o momento para ‘passar a faca’ nas estimativas de lucro para 2026 e 2027, reduzindo as projeções em 13% e 14%, respectivamente, deixando-as entre 13% e 14% abaixo do consenso da Bloomberg.

Para os analistas, haverá:

  • recuperação de receita mais lenta, com NII (margem financeira) e tarifas crescendo apenas cerca de 2% em 2026;
  • custo de risco mais elevado, em torno de 4,9% (sobre a média da carteira de crédito), ante cerca de 4,6% em 2025.

Além disso, juros elevados por mais tempo também podem desacelerar a recuperação do NII de mercado, “enquanto um EBT (lucro antes dos impostos) baixo não é ideal para a utilização de DTA (créditos tributários diferidos)“.

Único gatilho

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O JPMorgan lembra ainda que um eventual fechamento de capital promovido pelo Santander Espanha poderia fazer as ações dispararem.

Vira e mexe, esse assunto volta à tona, principalmente quando o papel cai. Em tese, isso tornaria mais barato para a controladora retirar o banco da bolsa, especialmente considerando que o prêmio das ações do Santander Espanha em relação à SANB11 está entre os mais elevados da história.

O free float (percentual das ações em circulação no mercado, fora das mãos do controlador) representa apenas 10% do capital. Em 2014, o banco já tentou fechar o capital.

Ainda assim, o JPMorgan afirma que, diante da perspectiva desafiadora para o médio prazo, “não temos certeza se esse risco poderá se concretizar em breve”.

JPMorgan não é o único

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O BB Investimentos também reduziu o preço-alvo do banco para R$ 31,60, mantendo recomendação neutra.

Segundo os analistas, embora reconheçam a capacidade do Santander de continuar executando sua agenda de eficiência, crescimento seletivo e diversificação de receitas, “entendemos que ainda falta visibilidade sobre uma eventual inflexão positiva do momento operacional”.

“Até que tenhamos sinais mais claros de melhora sustentável da margem financeira e do custo do crédito, acreditamos que uma postura mais cautelosa permanece adequada.”

O BB já destacava a falta de vetores claros para uma aceleração da rentabilidade. Porém, os resultados do segundo trimestre de 2026 sugerem que uma eventual inflexão pode estar mais distante do que o esperado. Parte relevante dessa avaliação decorre do ambiente macroeconômico.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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