Resultados

Santander (SANB11) decepcionou no 1T26, mas XP não joga a toalha; ação cai

29 abr 2026, 11:51 - atualizado em 29 abr 2026, 11:51
Santander
Analista da Empiricus afirma que 2T24 ainda ‘não muda o jogo’ e outro banco pode surpreender positivamente (Imagem: Kaype Abreu/Money Times)

O Santander (SANB11) divulgou resultados fracos, veem os analistas, que já esperavam cifras menores em meio à sazonalidade do primeiro trimestre.

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No período, o banco lucrou R$ 3,8 bilhões, queda de 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Mesmo a XP, que possui recomendação de compra para o papel, admite que o banco entregou menos. Na bolsa, a ação caía 1,87%, a R$ 28,87. No ano, o papel tomba 14%.

Para a corretora, o trimestre foi amplamente influenciado pela sazonalidade, com contração da carteira, menores receitas de tarifas e deterioração da qualidade de ativos — todos fatores já antecipados na prévia.

Mesmo assim, os analistas afirmam que os resultados vieram, de forma geral, em linha na maior parte das linhas de receita, com a margem de clientes ligeiramente abaixo do esperado e a alíquota efetiva de imposto um pouco acima da estimativa.

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Na qualidade de ativos, o salto expressivo nas baixas chama atenção, “embora pareça refletir uma mudança deliberada de política, e não uma deterioração cíclica incremental”.

“De forma geral, o trimestre é consistente com a tese de normalização gradual, mas reforça que uma reprecificação mais relevante de ROE segue dependente de um ambiente macroeconômico menos adverso e da resolução do ciclo de inadimplência em segmentos específicos”.

Levemente negativa para a ação

Para o Safra, a queda dos resultados era amplamente esperada, enquanto o lucro líquido ficou em linha com a expectativa de ROE de 16%.

Ainda assim, os resultados ficaram 6% abaixo do consenso, e a qualidade dos ativos foi um pouco pior.

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Outro ponto de preocupação é a inadimplência. Nas dívidas de longo prazo, o índice acima de 90 dias segue pressionado, atingindo 3,3%, com alta de 0,2 p.p. no trimestre e 0,6 p.p. no ano, especialmente em pessoa física nas faixas de menor renda e, em pessoa jurídica, nas empresas de menor faturamento.

Apesar disso, nas despesas com provisão para crédito duvidoso (PDD), colchão usado pelos bancos para se proteger de calotes, o banco provisionou R$ 6,3 bilhões, alta de 3,9% no trimestre e queda de 0,7% no ano. Segundo Mario Leão, na conferência com jornalistas, o número subiu pouco, considerando o cenário macro.

“Embora tendências melhores de NII (tanto de clientes quanto de mercado) possam trazer algum upside para nossas expectativas de receita em 2026, isso ainda seria limitado pela trajetória das provisões, que continua sendo um ponto de preocupação e que esperamos discutir na teleconferência de resultados de hoje com a administração”, diz.

Os analistas do Safra também destacam que os benefícios capturados por despesas operacionais (opex) e pela alíquota efetiva de impostos — ambos componentes importantes da trajetória de resultados nos últimos trimestres — não se repetiram no 1T26.

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Na conferência com jornalistas, Leão lembrou que o lucro antes de imposto cresceu 5,4% em relação ao quarto trimestre, para R$ 4,6 bilhões, embora o número tenha recuado 3,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

“Sendo prático, pagar imposto é bom sinal, é sinal de que eu estou oferecendo mais, eu estou gerando mais atividade orgânica, e com isso o lucro acaba caindo”.

Ainda segundo o executivo, trata-se de um efeito matemático. No Brasil, não existe consolidação fiscal. Na prática, cada veículo paga o seu imposto, mesmo que tenha holding.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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