Taxa Selic

Selic a 14,50%: 4 pontos para entender por que o Copom reduziu os juros em 0,25 p.p.

29 abr 2026, 19:07 - atualizado em 29 abr 2026, 19:28
Economia, taxa Selic, Copom, Banco Central, inflação
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve os juros inalterados em 15% ao ano. Entenda o movimento em 4 pontos (Imagem: iStock/ Rmcarvalho/Canva)

O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50% ao ano nesta quarta-feira (19). Essa foi a segunda flexibilização dos juros e, mais uma vez, a decisão foi unânime.

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O corte também veio em linha com o esperado pelo mercado. Na última atualização, com data de referência da segunda-feira (27), o contrato de Opções de Copom da B3 apontava a chance de 90,5% de o Banco Central (BC) reduzir os juros em 0,25 p.p.

“O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,50% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, diz o comunicado.

“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, acrescentaram os diretores.

Os diretores mantiveram a menção ao conflito no Oriente Médio, afirmando que o cenário externo permanece incerto em meio a incertezas quanto à duração, extensão e desdobramentos do conflito.

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As projeções para inflação para 2026 e no horizonte relevante também tiveram ajustes para cima.

“Os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mantendo-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026, enquanto o cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”, diz o comunicado.

🔴ESPECIAL COPOM: Acompanhe a decisão de juros no Brasil e nos EUA

Selic a 14,50%: Entenda a decisão do Copom

Internacional

No comunicado, o Copom reforçou que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição a respeito da duração, extensão e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio.

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“Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities“, diz o comunicado.

Os diretores também consideraram que os riscos para a inflação permanecem mais elevados que o usual, perante o conflito.

Entre os riscos de alta nos preços estão os possíveis impactos por restrições de oferta de petróleo e seus derivados. Já entre os riscos de baixa está uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e do petróleo.

Economia brasileira

Em relação ao cenário doméstico, os diretores do Banco Central ressaltaram que o conjunto dos indicadores de atividade econômica segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência.

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Mas o cenário da inflação mudou. Em março, o BC reconheceu que a inflação apresentava algum sinal de arrefecimento. Agora, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta.

As expectativas do mercado também seguem desancoradas.

“As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,9% e 4,0%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,5% no cenário de referência”, diz o Copom.

O comunicado acrescenta que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, perante a indefinição acerca dos conflitos no Oriente Médio.

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Entre os riscos de alta destacam-se:

  • desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de restrições de oferta de petróleo e seus derivados;
  • maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e
  • conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.

Já entre os riscos de baixa para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, os diretores do Copom consideram:

  • uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação;
  • uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e de petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e
  • uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

Além disso, o Comitê afirmou que segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza.

Vêm mais cortes na Selic?

O Copom disse, no comunicado, que julgou apropriado dar sequência ao ciclo de cortes na Selic, considerando que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que haja ajustes no ritmo e extensão dessa calibração.

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“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, diz o comunicado.

O colegiado manteve a indicação de que os próximos passos serão feitos “à luz de novas informações”, de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.”

Decisão unânime

Segundo o comunicado, os dirigentes do Banco Central entraram em consenso e a decisão foi novamente unânime.

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Gabriel Galípolo (presidente), Ailton de Aquino, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton Schneider e Paulo Picchetti votaram pelo corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,50% ao ano.

Veja o comunicado do Copom

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.

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