Selic pode cair mais mesmo com Fed subindo juros; veja as projeções do Bradesco para os juros
Após as decisões de juros do Brasil e dos Estados Unidos nesta última quarta-feira (16), o Bradesco decidiu revisar seu cenário macroeconômico e passou a ver mais ajustes no horizonte devido a elevação do risco externo e os efeitos mais visíveis da política monetária.
Para 2026, a projeção da casa para a Selic é de mais dois cortes, com a taxa chegando ao período final em 13,25%. Segundo a casa, a desaceleração evidente da economia é um dos principais pontos para que o ciclo de afrouxamento monetário siga em curso.
O último dado divulgado do Produto Interno Bruto (PIB) mostrou que economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre, com queda de 0,4% no consumo das famílias.
“A divulgação do PIB do segundo trimestre confirmou o que os dados mensais já sugeriam: uma
desaceleração mais intensa da economia, mesmo em um período em que diversos estímulos estão
em vigor”, observam os economistas da casa no relatório divulgado nesta sexta-feira (18).
Desta forma, a equipe revisou sua projeção para o crescimento econômico do país de 1,9% para 1,7% em 2026 de 1,3% para 1% em 2027.
A inflação também apresenta desaceleração após os choques pontuais do início do ano com conflito no Oriente Médio. O acumulado dos últimos 12 meses voltou a ficar abaixo do teto da meta do BC e, na avaliação do Bradesco, deve finalizar o ano em 4,9% por conta de pressões previstas com os efeitos do El Niño.
Para 2027, eles colocam ainda no preço algum repasse altista de preços por conta da nova fase da reforma tributária e eventual redução da jornada de trabalho.
Câmbio é parte importante da conta
Outro ponto que reforça a leitura de que o Banco Central poderá seguir cortando as taxas ao longo do ano é o câmbio.
Segundo o Bradesco, o real não vem apresentando uma desvalorização cambial relevante e segue oscilando entre R$ 5 e R$ 5,20 nas últimas semanas, o que os fizeram manter a projeção em R$ 5 ao final de 2026.
Embora os EUA tenham ajustado para cima nas taxas de juros — o que historicamente faz com que o dólar se valorize e emergente saiam machucados —, as questões geopolíticas e alta do petróleo tem limitado essa valorização.
“Os juros longos voltaram a subir no mundo, mas o dólar não tem se fortalecido de forma
consistente. Como o câmbio é o principal canal de transmissão desse ambiente aos emergentes, os
efeitos concretos sobre o Brasil seguem moderados”, explicam.
Mesmo após a alta desta semana, a expectativa do banco é de que o Federal Reserve faça ainda mais dois aumentos, levando a taxa a 4,25% em 2026 e 4,50% em 2027.