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Sem precatório no horizonte, como fica a ação da Sanepar (SAPR11), segundo analistas

14 abr 2026, 7:06 - atualizado em 14 abr 2026, 8:46

A Sanepar (SAPR11) voltou ao radar do mercado após a decepção com o precatório de R$ 4 bilhões. O que a maioria de analistas projetava como um dividendo extraordinário robusto, que poderia destravar valor para a empresa no curto e médio prazo, acabou indo por água abaixo quando a agência reguladora do Paraná (Agepar) decidiu destinar 100% dos recursos aos consumidores, não à empresa.

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Embora a decisão ainda não esteja 100% definida e dependa de consulta pública, já gerou uma reação negativa no mercado. As ações SAPR11 chegaram a despencar quase 7% quando foi divulgada a notícia. Em 2026, acumulam ganhos de 13,33%, abaixo do Ibovespa, que avança 19,72%.

Diante desse cenário, o que esperar da ação no futuro? Veja a seguir o que dizem analistas.

Os otimistas com o papel

Em relatório publicado neste mês, a Empiricus afirma que vê assimetria nos dados da Sanepar, com boas perspectivas no horizonte. Segundo a casa, “o processo de privatização da Copasa reforça a percepção de que a Sanepar pode se tornar, em breve, a única estatal relevante do setor [de utilities] listada na Bolsa brasileira”.

Soma-se a isso, segundo os analistas, o avanço de candidatos de centro-direita nas pesquisas eleitorais para o governo do Paraná, o que aumentaria “a probabilidade de uma agenda mais voltada à eficiência operacional e à criação de valor para acionistas” – quiçá até sobre privatização.

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“Trata-se de um caso em que o balanço entre risco e retorno se mostra assimétrico, com um potencial de ganho que, ao menos neste momento, parece superar de forma relevante os riscos embutidos no cenário negativo”.

Também em relatório, a XP recomenda compra do papel com preço-alvo de R$ 45,9, ou seja, sem upside em relação ao preço atual. Para os analistas da casa, a Sanepar segue negociando com uma Taxa Interna de Retorno (TIR) atrativa, de 10,3%.

“A tese da companhia se baseia num valuation atrativo, com bom carrego, que não depende de privatização — embora essa fosse um importante gatilho de valor”, observa a XP.

A casa vê espaço para o prêmio de risco da Sanepar em relação a outras utilities, que deverá se comprimir ao longo do tempo.

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“A maturidade das agências reguladoras locais tende a reduzir o diferencial de percepção de risco entre regulação estadual e federal, o que deve levar naturalmente a essa compressão. Os gatilhos de maiores yields e uma eventual privatização podem acelerar esse processo.”

Os pessimistas

Alguns analistas ouvidos pelo Money Times disseram estar pouco otimistas com a Sanepar. Sem precatório nem privatização no horizonte, a tese da empresa ficaria dependente do sucesso de sua execução em capex (investimentos) e universalização de esgoto e saneamento.

“Acho que a empresa perde o appeal exatamente por não estar realizando nada de transformacional”, diz Vitor Souza, da Genial investimentos.

Na visão de Régis Chinchila, da Terra Investimentos, sem esses gatilhos e com juros ainda em patamares elevados, o papel SAPR11 exige paciência do investidor. “Esse novo equilíbrio torna a tese mais longa e menos baseada em eventos pontuais, o que aumenta o risco de execução e reduz o apelo de curto prazo.”

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Apesar disso, a visão é que a Sanepar entrega uma operação eficiente, mesmo sendo estatal, mas nada que a destaque em relação aos pares do setor. Há um consenso de que a companhia apresenta um histórico de bons indicadores operacionais, com margens consistentes e uma estrutura de custos relativamente eficiente para uma estatal.

“No entanto, quando colocamos lado a lado com pares como Sabesp (SBSP3) e Copasa (CSMG3), vemos que essa vantagem não é tão clara de forma estrutural”, diz Chinchila.

Para ele, parte da eficiência observada decorre de características específicas da área de concessão e de ciclos anteriores de investimento mais leves.

“Embora a companhia seja eficiente dentro do seu contexto, não vemos evidências consistentes de que ela seja estruturalmente superior aos pares, principalmente olhando para frente e considerando o ciclo mais intensivo de capex”, comenta o analista da Terra Investimentos.

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Ação está cara?

Ilan Arbetman, analista da Ativa, vê um peso maior do risco regulatório sobre a operação da empresa, como no exemplo do dividendo extraordinário em que a Agepar colocou água no chope dos acionistas. “A Sanepar tem operação muito resiliente e margens sólidas, mas o risco regulatório (revisões parceladas, insegurança jurídica) distorce esta leitura de eficiência.”

No caso dos dividendos, a leitura de Arbetman é que o payout médio de 30% tira o diferencial do papel. “Ela segue pagadora, mas, com ausência de extraordinários, o papel vira yield estável, possivelmente até mais alto por falta de catalisador e eventual queda do papel”.

A visão de que a empresa está cara em relação ao dividendo também é compartilhada por Vitor Souza, da Genial. ” Os dividendos a serem distribuídos são risíveis em relação ao atual valor de mercado e afasta a empresa de ser considerada uma pagadora de dividendos expressiva.”

Nos últimos 12 meses, a companhia teve com um dividend yield de 4,3%.

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Com uma valorização de quase 100% em 12 meses e baixa probabilidade de ser privatizada, os analistas acreditam que o valuation da empresa deva seguir pressionado. Ou seja, a ação ficou “sem história”, como definiu Souza.

“No curto e médio prazo, os gatilhos para destravar valor são mais limitados e menos evidentes, o que pode deixar o papel com menor protagonismo no mercado”, comenta Régis Chinchila.

Ele enxerga, no entanto, que revisões tarifárias futuras que possam melhorar a remuneração, ganhos de eficiência operacional via programas de redução de custos e uma eventual reprecificação do setor, num cenário de queda de juros, poderiam trazer de volta a atratividade ao papel.

“No geral, porém, são catalisadores mais difusos e dependentes de fatores externos, o que tende a manter a ação com desempenho mais lateralizado até que haja maior clareza sobre esses vetores.”

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A Terra, que tem menos expectativas em relação a possível privatização e dividendos extras, tem posição neutra em relação ao papel, com preço-alvo de R$ 46.

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Jornalista especializada na cobertura de dividendos com quase uma década de experiência. Tem formação em jornalismo, política e relações internacionais e uma especialização em mercado de capitais pela B3 em parceria com a Saint Paul Escola de Negócios. Em 2024, foi eleita a Jornalista mais admirada de Economia, Negócios e Finanças do Brasil.
Jornalista especializada na cobertura de dividendos com quase uma década de experiência. Tem formação em jornalismo, política e relações internacionais e uma especialização em mercado de capitais pela B3 em parceria com a Saint Paul Escola de Negócios. Em 2024, foi eleita a Jornalista mais admirada de Economia, Negócios e Finanças do Brasil.
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