Setor de algodão entrega carta a presidenciáveis e pede fibras naturais como política de Estado
Produtores brasileiros de algodão pedem a implementação de uma política nacional de valorização das fibras naturais ao próximo governo.
A proposta integra a “Carta Aberta aos Presidenciáveis – A visão do setor da cotonicultura brasileira para os próximos 4 anos” elaborada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), apresentada aos candidatos à Presidência com as prioridades da cotonicultura para o ciclo 2027-2030.
“As decisões do próximo governo serão determinantes para que o Brasil preserve sua competitividade e amplie o espaço conquistado no mercado internacional”, destacou a associação em nota.
No documento, a Abrapa defende que a cadeia produtiva do algodão seja reconhecida como um “ativo estratégico para o desenvolvimento do País e que sua competitividade seja tratada como uma política de Estado, articulando produção, indústria, comércio exterior, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional”.
A associação recomenda aos presidenciáveis estímulos à inovação e à indústria têxtil nacional, compras públicas sustentáveis, desenvolvimento de materiais de base biológica e ações de conscientização sobre os benefícios das fibras naturais.
Para a entidade, são necessárias políticas públicas que estimulem novas aplicações e aprimorem características de desempenho e usabilidade dessas fibras, ampliando sua presença na indústria têxtil, inclusive em combinações com outras matérias-primas.
A sugestão passa ainda pelo fomento de pesquisas sobre os “possíveis impactos das fibras sintéticas e dos microplásticos à saúde e ao meio ambiente”. “A valorização das fibras naturais deverá permanecer na agenda institucional da Abrapa na próxima legislatura, tanto no Congresso Nacional quanto junto ao governo federal e aos ministérios relacionados ao tema”, aponta a entidade.
Além do pedido por políticas públicas para o fortalecimento das fibras naturais, a entidade reuniu propostas nas áreas de fertilizantes; bioinsumos; segurança jurídica e estabilidade regulatória; reforma tributária; abertura comercial; infraestrutura e logística; modernização da política agrícola.
“O Brasil conquistou uma posição de protagonismo no algodão mundial, mas a liderança não é permanente. Precisamos olhar para os próximos quatro anos e construir um ambiente que dê ao produtor segurança para investir, produzir e competir”, afirmou o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli.
Um dos pontos alertados pela Abrapa é a dependência brasileira de fertilizantes importados como uma vulnerabilidade diante de oscilações cambiais, tensões geopolíticas e eventuais restrições nas cadeias globais de suprimentos. A Abrapa também pede a conclusão da regulamentação da lei dos bioinsumos.
A ampliação do seguro rural também consta entre as recomendações da entidade, bem como o maior acesso do setor agropecuário ao mercado de capitais e a novas fontes de financiamento.
A Abrapa pede ainda que o governo acelere negociações comerciais e fortaleça a atuação diplomática e sanitária para “enfrentar barreiras tarifárias e não tarifárias, buscando diversificar os destinos do algodão brasileiro e reduzir a concentração das exportações”, além de pedir atenção aos gargalos em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, armazenagem e energia.
A Abrapa representa produtores responsáveis por 99% da área plantada e 99% da produção nacional de algodão, além de 100% das exportações brasileiras da fibra. De acordo com a entidade, as onze associações estaduais participaram da elaboração do documento.