Sinal amarelo: Safra rebaixa recomendação de Engie (ENGI3) e alerta para ‘possível teste de estresse’ à frente
O Banco Safra rebaixou a recomendação de Engie (EGIE3) de neutro para venda, mas elevou o preço-alvo de R$ 33,50 para R$ 34,20, com potencial de desvalorização de 0,3% em relação ao fechamento anterior (8).
Na avaliação do banco, o portfólio segue atrativo, mas o valuation caro da ação influenciou na mudança de recomendação de Engie, com uma taxa interna de retorno (TIR) de 8,2%, abaixo dos pares (9,6%), e um rendimento de dividendo médio moderado, de 5,4%.
A atualização do modelo do Safra para incluir os resultados recentes, os novos projetos adquiridos no leilão de transmissão 01/2026, os impactos do novo acordo de Uso de Bem Público (UBP), premissas macroeconômicas revisadas, curva atualizada de preços de energia, além de estimativas de corte de energia (curtailment, em inglês) e Fator de Ajuste da Garantia Física (GSF, em inglês).
Por volta das 14h12 (horário de Brasília), EGIE3 recuava 1,87%, a R$ 33,65. No mesmo horário, o Ibovespa caía 1,15%, aos 181.989,30 pontos.
Os analistas do banco destacam ainda como outro fator de atenção que a alavancagem da Engie segue elevada, a 3,4x a dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
Possível ‘teste de estresse’
Conforme anunciado pelo Conselho de Administração da empresa em dezembro do ano passado, há planos para avançar com a possível transferência da participação de 40% que seu acionista controlador possui na usina hidrelétrica de Jirau.
“Acreditamos que esse evento pode aumentar a volatilidade da ação, já que transações anteriores com partes relacionadas geraram preocupações entre os acionistas minoritários. Embora a operação seja analisada por um comitê independente, o valuation apresentado em comparação às estimativas de mercado será determinante para os potenciais impactos sobre a companhia”, avalia o Safra.
Nas estimativas do banco, Jirau acrescentaria um valor de firma de aproximadamente R$ 19 bilhões e um valor patrimonial de R$ 11,1 bilhões, implicando em um múltiplo de valor de empresa sobre Ebitda de 9x.
Como fatores de risco para a ação à frente, o Safra menciona:
- A volatilidade nos preços de energia, potencialmente afetando o segmento de geração (GenCo);
- A possível aquisição de Jirau em condições favoráveis, o que poderia resultar em valorização das ações;
- A gestão do balanço energético da companhia melhor do que o esperado.