Sinal de alerta: UBS BB vê banco caindo 17% (e ele não é o único)
Após disparar 100% nos últimos doze meses, analistas começam a virar a cara para o Banrisul (BRSR6). O UBS BB foi um deles. O banco rebaixou a ação de neutra para venda, com preço-alvo de R$ 15 — o que implica um potencial de queda de 17% em relação ao último fechamento.
Na sessão, o papel caía 8%, a R$ 17,27. Segundo os analistas, o mercado parece iludido: investidores estão pagando por um ROE (retorno sobre o patrimônio) que não será sustentável, incorporando um ROAE de longo prazo de aproximadamente 14% (contra expectativa de 10% do UBS).
“O ROAE registrado de aproximadamente 15% em 2025, em nossa opinião, fomentou a percepção de um banco fundamentalmente mais lucrativo”.
Para os analistas, o desempenho foi impulsionado por ganhos extraordinários e pela alta volatilidade na recuperação de crédito. Ou seja, os números não devem se sustentar daqui para frente. Quatro fatores devem pesar contra o banco:
- declínio estrutural na receita de cheque especial;
- compressão crescente de tarifas, impulsionada pela concorrência das fintechs;
- spreads de crédito consignado se aproximando de mínimas históricas;
- aumento gradual da exposição a empréstimos sem garantia, em meio a um ciclo de crédito ao consumidor em deterioração.
E não para por aí. A decepção com os resultados deve ser um fator relevante para revisões negativas por parte do mercado.
“Para investidores que buscam exposição a bancos brasileiros, recomendamos foco em instituições onde os catalisadores de reavaliação sejam sustentados por crescimento consistente dos lucros, e não por distorções temporárias”.
Banrisul: UBS não é o único
O UBS BB não está sozinho. O BTG Pactual também rebaixou o Banrisul para venda, com preço-alvo de R$ 15.
Segundo os analistas, o banco deve apresentar um desempenho fraco no primeiro trimestre, com lucro líquido de aproximadamente R$ 210 milhões (ROE de 7,5%), cerca de 30% abaixo do consenso. O principal vilão deve ser a deterioração do crédito.
Ainda de acordo com o BTG, o crescimento da carteira deve permanecer moderado, enquanto os empréstimos inadimplentes (NPLs) seguem em alta.
Já o custo de risco tende a superar as projeções (cerca de 2,8% contra 1,22%), pressionado por maiores provisões e recuperações mais fracas — especialmente nos segmentos de pessoa física e jurídica.
“Mantemos cautela, visto que a rentabilidade estrutural ainda é fraca, com ROE projetado em torno de 10% em 2026.
Ainda segundo o BTG, as ações são negociadas perto de 0,7x o P/VP (preço sobre valor patrimonial).
E não só isso. Há preocupações contínuas com a qualidade dos ativos (inclusive no agronegócio, com o vencimento dos períodos de carência), uma alíquota efetiva de imposto mais elevada e possíveis entraves na renovação do contrato de folha de pagamento do Rio Grande do Sul.