Even (EVEN3) e Mitre (MTRE3): O que agradou e o que preocupou analistas no 1T26
As construtoras Even (EVEN3) e Mitre (MTRE3) divulgaram suas prévias operacionais do primeiro trimestre de 2026 (1T26) com resultados mistos, segundo avaliação de analistas.
Na bolsa de valores (B3), as ações reagiam de forma distinta nesta terça-feira (14). Por volta das 14h (horário de Brasília), os papéis EVEN3 recuavam 0,83%, a R$ 7,20, enquanto MTRE3 avançava 1%, a R$ 3,99.
O 1T26 da Even, segundo o BTG
Entre janeiro e março, a Even apurou R$ 288 milhões em vendas líquidas, sendo R$ 252 milhões atribuídos à sua participação, o que representa um leve avanço de 2,4% na comparação anual, mas 15% abaixo das projeções do BTG Pactual.
Sem lançamentos no período, como já era esperado pelo banco, todo o volume comercializado pela companhia teve sua origem do estoque.
No 1T26, a receita bruta totalizou R$ 295 milhões, queda de 6% frente ao mesmo intervalo de 2025, enquanto os cancelamentos somaram R$ 48 milhões, dos quais R$ 43 milhões correspondem à fatia da incorporadora — um recuo de 36% frente aos R$ 68 milhões reportados um ano antes.
Consequentemente, a velocidade de vendas, medida pelo índice VSO, ficou em 7% contra 9% no 1T25, num nível considerado “fraco” pelo BTG.
Na avaliação do banco, os números operacionais refletiram tanto a ausência de novos projetos quanto um ambiente macroeconômico mais desafiador, além da sazonalidade típica mais fraca de início de ano.
“A Even não lançou nenhum projeto, como era esperado, o que resultou em vendas mais fracas, uma vez que os lançamentos vinham apresentando sólido desempenho de comercialização”, destacou a instituição, em relatório.
“Embora consideremos positiva a estratégia da construtora de lançar projetos de maior dimensão e mais diferenciados, mantemos nossa recomendação neutra para as ações, que negociam a um múltiplo P/L de 5,5 vezes e um P/VP de 0,8 vez, face a um cenário macro desfavorável para o segmento de médio e alto padrão”, prosseguiu.
O preço-alvo do BTG para os papéis é de R$ 9,50, o que implica um potencial de valorização de cerca de 32% sobre a cotação atual.
O 1T26 da Even, segundo o BBI
O Bradesco BBI também classificou o trimestre da construtora como “fraco”, destacando a ausência de lançamentos e a desaceleração do índice VSO.
“As vendas líquidas atribuídas à companhia totalizaram R$ 252 milhões, com alta de 2% no comparativo anual, mas queda de 52% em relação ao trimestre anterior, refletindo a comercialização concentrada em estoque”, afirmou o banco.
A casa pontuou que, apesar de a Even contar com um cronograma relevante de projetos ao longo de 2026, segue com recomendação neutra para suas ações diante da falta de gatilhos de curto prazo e de um ambiente ainda desafiador para o nicho de renda média e alta.
Pelas contas da instituição, os papéis da empresa negociam a aproximadamente 0,8 vez o valor patrimonial (P/VP), refletindo esse balanço entre potencial de médio prazo e limitações no curto prazo. O preço-alvo é de R$ 10, com potencial de alta de 39%.
Mitre (MTRE3): lançamento sustenta resultado
No caso da construtora Mitre, o BBI avaliou que a companhia apresentou desempenho operacional positivo no 1T26, apoiado por vendas resilientes e pela execução “bem-sucedida” de um lançamento no segmento de alta renda.
De fato, a incorporadora lançou um projeto no período, totalizando R$ 802 milhões em VGV (participação da companhia), avanço de 175% na comparação anual e de 258% frente ao trimestre anterior.
De acordo com o BBI, embora o estoque tenha aumentado em função desse lançamento, o nível de unidades prontas permanece baixo.
“Ainda assim, apesar de um cronograma de entregas para 2026 com elevado nível de pré-venda (95%), seguimos vendo poucos gatilhos de curto prazo em um ambiente mais desafiador à frente’, ressaltou o banco, que manteve recomendação neutra para as ações MTRE3.
O preço-alvo para os papéis é de R$ 5, o que implica potencial de valorização de aproximadamente 25%.