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SLC Agrícola (SLCE3): O que impede o Safra de recomendar a compra da ação?

18 set 2026, 11:15
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(Imagem: REUTERS/Randall Hill)

O Safra iniciou a cobertura de SLC Agrícola (SLCE3) com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 21 (potencial de alta de 16,99%) por ação para os próximos 12 meses. Embora reconheça a qualidade da operação e o potencial de expansão da companhia, o banco considera que a cotação já reflete boa parte desses atributos.

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Na avaliação dos analistas, os múltiplos da ação, somados à alavancagem e à exposição aos preços das commodities e ao clima, tornam a relação entre risco e retorno insuficientemente atrativa para recomendar a compra.

Pelos cálculos do Safra, a SLC negocia a 11,5 vezes o lucro estimado para 2027, patamar 24% superior à média histórica de 9,3 vezes. Já o retorno em fluxo de caixa livre — indicador que compara a geração de caixa ao valor de mercado — é estimado em 8%, na média de 2027 e 2028.

O banco projeta crescimento médio anual de 5% para o Ebitda e de 12% para o lucro por ação nos próximos três anos. A expansão da área plantada e os ganhos de produtividade devem sustentar o avanço operacional.

Essas perspectivas, porém, não bastam para justificar uma visão mais favorável, considerando também a relação dívida líquida/Ebita de 3,1 vezes apresentada no relatório.

SLCE3: produtividade acima da média e terras valorizadas

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A postura cautelosa com a ação não impede o Safra de destacar as vantagens competitivas da SLC. O banco aponta os padrões de gestão, o uso de tecnologia e as operações de proteção contra oscilações das commodities e do câmbio como diferenciais da companhia.

Segundo o relatório, a produtividade da empresa supera a média brasileira em 7% no algodão e em 6% na soja. A diversificação geográfica ajuda a reduzir riscos climáticos, enquanto a escala e o acesso a capital permitem aproveitar oportunidades de expansão.

Outro destaque é o portfólio de terras, registrado no balanço por um valor 66% inferior ao valor de mercado estimado. Para o Safra, esse patrimônio representa uma fonte de oportunidades no longo prazo e oferece proteção em períodos mais difíceis.

A companhia também carrega um histórico de crescimento de aproximadamente 20% em receita e Ebitda. Quase metade desse avanço veio dos volumes, considerando área plantada e produtividade, enquanto o restante foi explicado por preços e câmbio.

Commodities e clima podem mudar o cenário

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Apesar dos ganhos operacionais, o desempenho da SLC no curto prazo segue fortemente condicionado a fatores fora do controle da administração.

O Safra ressalta que os preços das commodities e o câmbio são determinantes para os resultados. As estratégias de hedge podem suavizar ou adiar os impactos dessas oscilações, mas não eliminam seus efeitos.

O banco vê possibilidade de alta nas commodities agrícolas diante da perspectiva, apontada no relatório, de um El Niño muito forte e de relações entre estoques e consumo nas mínimas de vários anos.

Esse movimento, contudo, poderia ter seus benefícios compensados por uma queda de produtividade. Segundo o Safra, 89% da área plantada da SLC está em estados historicamente prejudicados por episódios extremos de El Niño.

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O retorno sobre o capital investido também exige atenção. O indicador ficou em 10% nos últimos 12 meses, abaixo da média de 14% dos últimos cinco anos e 1,38 ponto percentual inferior ao custo médio ponderado de capital calculado pelo banco.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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