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Bolsa Família decide eleição? Diante do empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, medida ‘pode ser um tiro pela culatra’, diz analista

18 set 2026, 11:15 - atualizado em 18 set 2026, 11:26
Bolsa Família
Reajuste às vésperas do primeiro turno movimenta o mercado, mas para Matheus Spiess, estrategista da Empiricus, medida pode ter efeito limitado sobre a eleição

Na reta final para o primeiro turno das Eleições 2026, na última quinta-feira (17), o governo federal anunciou um reajuste de cerca de 15% no Bolsa Família. Com a mudança, o piso do programa subiu de R$ 600 para R$ 691 por família.

O anúncio ocorre enquanto a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) movimenta o noticiário político, e Lula e Flávio Bolsonaro protagonizam uma disputa acirrada pelo Planalto.

As pesquisas de intenção de voto desta semana reforçam este cenário. Entre os últimos levantamentos divulgados ao longo desta semana, cinco apontaram empate técnico entre os candidatos, deixando a corrida pelo Planalto em aberto.

Nesse sentido, o anúncio do reajuste provocou um susto no mercado financeiro. Na manhã de quinta (17), o Ibovespa chegou a perder 3 mil pontos, mas recuperou terreno ao longo do pregão.

Segundo Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, a reação colocou em evidência os dois principais fatores que estão influenciando o movimento do mercado neste momento: as expectativas para a eleição e o risco fiscal.

Em entrevista ao programa Giro do Mercado, do Money Times, o estrategista explicou que o aumento no Bolsa Família mexe com esses dois fatores. Contudo, do ponto de vista de estratégia política, a medida “pode ser um tiro pela culatra”.

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Por que estratégia com o Bolsa Família pode não funcionar?

Na avaliação de Spiess, embora o aumento do benefício possa favorecer a campanha de Lula, o impacto positivo da medida se limita ao público alcançado pelo reajuste. Além disso, o presidente já conta com apoio relevante entre os beneficiários do Bolsa Família. Ou seja, parte desse efeito ocorre em um eleitorado com o qual o presidente já dialoga.

Por outro lado, o estrategista vê espaço para a medida frear o avanço que a campanha de Flávio Bolsonaro tenta construir no Nordeste. Segundo ele, o objetivo do candidato nessa região é diminuir a distância em relação ao petista. Nesse sentido, uma consolidação de Lula entre os beneficiários do Bolsa Família poderia dificultar essa estratégia.

Spiess ainda acredita que a medida pode repercutir positivamente em outras regiões, como o Sudeste, que também concentram pessoas que recebem o subsídio. Contudo, o estrategista chama a atenção para um grupo importante de eleitores que podem se sentir deixados de lado pelo governo.

O analista pontua que há uma parcela da população que não recebe o benefício, mas que também está enfrentando dificuldades para fechar as contas do mês. Nesse grupo está uma boa parte do que Spiess classificou como eleitor moderado, endividado, especialmente do estado de São Paulo.

Para ele, esse público pode fazer a diferença no resultado, numa disputa na qual poucos votos podem separar o vencedor do derrotado. Por essa perspectiva, o reajuste poderia fortalecer votos de um lado, mas afastar outros, valiosos em uma eleição apertada.

Assim, o efeito eleitoral do reajuste permanece incerto, na análise de Spiess. Entretanto, do ponto de vista econômico, ele identifica outra frente de preocupação: a pressão adicional sobre as contas públicas e a necessidade de um ajuste fiscal no próximo mandato.

Efeito eleitoral incerto, mas o risco fiscal está ‘virando a esquina’: como fica a bolsa nesse cenário?

Durante a entrevista, Spiess reforçou que “o fiscal é o principal canal de comunicação das eleições para os ativos financeiros brasileiros”. Na visão do analista, o aumento dos gastos públicos amplia a preocupação com a capacidade do governo de equilibrar as contas.

Assim, diante do contexto econômico e do aumento do piso do benefício, o ajuste fiscal, que já era considerado necessário em 2027, se torna inevitável, independentemente do vencedor.

Vale lembrar que a estimativa do governo é de que o reajuste no Bolsa Família tenha um impacto de R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22 bilhões em 2027. Embora a equipe de Planejamento tenha dito que este custo seria absorvido pelo espaço fiscal existente, Spiess avalia que a conta não fecha,e será preciso redesenhar partes do orçamento de 2027 para acomodar a despesa.

Esse cenário pesa sobre os investimentos. Matheus Spiess explica que o estresse fiscal pressiona as taxas de juros de prazos mais longos e prejudica os ativos financeiros brasileiros. O mercado passa a avaliar simultaneamente o gasto adicional e a possibilidade de o reajuste alterar a disputa presidencial.

Nesse contexto, anúncio do Bolsa Família acrescenta incerteza e maior volatilidade na bolsa. O pregão da quinta-feira (17) ilustra bem esse cenário. Em um único dia, o Ibovespa chegou a acumular perda de 3 mil pontos e encerrou as operações com alta de 0,24% em relação à abertura.

Assim, até o fim das eleições, os desdobramentos políticos devem ter impacto direto nos ativos brasileiros. Neste cenário, o investidor deve proteger o seu patrimônio, mas, ao mesmo tempo, precisa saber como se posicionar para capturar oportunidades destravadas neste período.

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Comunicóloga formada pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). É redatora do Money Times, Seu Dinheiro e Empiricus.
Comunicóloga formada pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). É redatora do Money Times, Seu Dinheiro e Empiricus.
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