Comprar ou vender?

Agora vai? BTG aposta na virada da CSN (CSNA3) e vê chance de alta de 57%

09 set 2026, 12:49
CSN Mineração
(Imagem: CSN/Divulgação)

A CSN (CSNA3) voltou ao radar do BTG Pactual, que passou a enxergar uma oportunidade tática de compra nas ações após anos de cautela com a companhia. O banco calcula potencial de valorização de 57,2%, considerando o preço-alvo de R$ 10 e a cotação de R$ 6,36 usada no relatório.

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O principal gatilho para uma reprecificação dos papéis é a chegada de Fabio Schvartsman ao cargo de CEO. Na avaliação dos analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, a troca de comando pode acelerar a redução da dívida, a venda de ativos e uma alocação de capital mais disciplinada.

Apesar do call tático de compra, o BTG manteve sua recomendação oficial neutra para a CSN. Isso porque os problemas estruturais da companhia ainda não foram resolvidos e uma visão positiva de longo prazo dependerá de avanços concretos na desalavancagem e na geração de caixa.

Venda da CSN Cimentos será primeiro teste

A potencial venda da CSN Cimentos deverá ser o primeiro grande teste da nova administração. A companhia já recebeu propostas e espera escolher a melhor oferta em cerca de 40 dias, com a possibilidade de concluir a operação até novembro.

Para o BTG, a transação é particularmente importante porque pode transformar a promessa de redução do endividamento em uma entrega concreta.

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Além da unidade de cimento, a CSN identificou outras possíveis fontes de recursos, como a venda de participações minoritárias em infraestrutura e energia, ativos internacionais e, futuramente, a entrada de um sócio estratégico na operação de siderurgia.

A empresa pretende reduzir sua dívida entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões por meio do programa de desinvestimentos.

“Se Schvartsman conseguir concluir a transação relativamente rápido e estabelecer credibilidade em torno do programa mais amplo de venda de ativos, acreditamos que os investidores poderão começar a precificar um perfil de alavancagem estruturalmente menor antes mesmo da execução integral do plano”, afirmam os analistas.

Dívida ainda é o principal problema da CSN

O balanço continua sendo o ponto mais sensível da tese. A CSN encerrou o segundo trimestre de 2026 com aproximadamente R$ 42 bilhões em dívida líquida e alavancagem de 3,49 vezes, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda.

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O BTG também destaca que a geração de fluxo de caixa livre permanece pressionada, enquanto as despesas financeiras consomem uma parcela relevante do caixa operacional.

Ainda assim, diante do baixo valor de mercado da empresa e da elevada alavancagem de sua estrutura de capital, mesmo uma execução parcial do plano de venda de ativos poderia provocar uma melhora relevante na percepção dos investidores.

Segundo o banco, o mercado não precisa esperar que o balanço esteja completamente recuperado para que as ações reajam. Uma confiança maior na capacidade da gestão de reduzir a dívida já poderia abrir espaço para a valorização dos papéis no curto prazo.

Nova gestão pode mudar a percepção do mercado

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Schvartsman é visto pelo BTG como um executivo respeitado pelo mercado e com experiência em empresas como Vale (VALE3), Klabin (KLBN11) e Ultrapar (UGPA3).

Sua nomeação representa uma mudança relevante após mais de duas décadas de Benjamin Steinbruch à frente da CSN. Steinbruch continuará como presidente do conselho de administração e deverá manter influência nas decisões estratégicas.

Por isso, o banco não espera uma transformação imediata na governança ou na alocação de capital. Mesmo assim, a combinação entre um novo CEO, o mandato explícito de reduzir a dívida e a aceleração dos desinvestimentos pode dar maior visibilidade à tese de recuperação da companhia.

Ação pode se beneficiar em diferentes cenários eleitorais

O BTG também avalia que a CSN apresenta uma proteção natural diante dos principais cenários para a eleição presidencial.

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Em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, a expectativa de uma política econômica mais favorável ao mercado e de juros domésticos mais baixos poderia beneficiar companhias endividadas, reduzindo os custos financeiros e elevando os múltiplos das ações.

Já uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva poderia ampliar o risco de desvalorização do real. Nesse cenário, a exposição da CSN a receitas atreladas ao dólar, principalmente por meio do minério de ferro e das exportações de aço, funcionaria como proteção para os resultados.

Os analistas ressaltam que os efeitos não são simétricos e dependem de outras variáveis macroeconômicas, mas consideram que a companhia está razoavelmente protegida nos dois cenários.

Vale a pena comprar CSNA3?

Para o BTG, a relação entre risco e retorno das ações melhorou no curto prazo, mas a tese continua cercada de riscos.

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A alavancagem permanece elevada, a geração de caixa precisa avançar e o plano de venda de ativos ainda precisa sair do papel.

Por outro lado, a venda da CSN Cimentos pode funcionar como o primeiro catalisador concreto, enquanto a chegada de Schvartsman aumenta a credibilidade da agenda de execução.

“Depois de anos de ceticismo, agora enxergamos um caminho crível para que o mercado comece a precificar a desalavancagem antes que ela seja totalmente entregue”, diz o banco.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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