SLC Agrícola (SLCE3): XP eleva preço-alvo com juros menores e melhora nas projeções; hora de comprar?
A XP Investimentos elevou o preço-alvo da SLC Agrícola (SLCE3) de R$ 17 para R$ 18,70 por ação, uma alta de 10%, ao incorporar as projeções da companhia para a nova safra, a atualização dos preços futuros das commodities e juros mais baixos. Apesar da revisão, a casa manteve a recomendação neutra, diante dos riscos climáticos e da pressão da dívida no curto prazo.
Na atualização, assinada por Leonardo Alencar, Leonardo Paiva e Arthur Devite, a corretora passou a prever geração de caixa livre de R$ 185 milhões em 2027, substituindo a expectativa anterior de consumo de R$ 41 milhões.
A melhora considera, além das novas projeções operacionais, investimentos abaixo do esperado, redução de 0,42 ponto percentual nas taxas de juros utilizadas no modelo e uma dinâmica mais favorável de capital de giro.
O que mudou nas projeções para a SLC Agrícola?
O guidance trouxe uma produtividade ligeiramente inferior à estimada pela XP, mas esse efeito foi compensado, em grande parte, por uma área colhida maior. Os custos também ficaram um pouco acima das contas da casa.
Como a corretora já trabalhava com custos mais elevados, porém, avaliou essa diferença como apenas marginalmente negativa. Além disso, como os gastos já estão majoritariamente contratados, os analistas não esperam surpresas adicionais relevantes nessa frente.
Com a atualização do modelo, a XP elevou em 12% sua estimativa de Ebitda ajustado, indicador de resultado operacional, em relação à projeção anterior.
Por que a XP mantém a recomendação neutra?
A perspectiva de maior geração de caixa também levou a corretora a reduzir sua estimativa de alavancagem para 2027, de 3,6 vezes para 3,3 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda.
Embora represente uma melhora, o patamar ainda supera as 3 vezes que a XP esperava antes da aquisição do Bloco Mato Grosso. Na avaliação dos analistas, uma parcela relevante da geração futura de caixa continua comprometida com despesas financeiras.
Somado a isso, o risco de um possível El Niño mantém a cautela com o desempenho à frente. Assim, mesmo com as revisões positivas, a XP considera equilibrada a relação entre os riscos e o retorno potencial das ações, sem recomendar a compra neste momento.