Sob pressão: juros dos Treasuries é o maior risco para os mercados, na visão de gestores
A disparada recente dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, passaram a ser o maior risco para os mercados, segundo a pesquisa do Bank of America (BofA) com gestores de fundos globais.
Neste mês, a alocação líquida em ações caiu de 56% para 49%, enquanto o nível de caixa subiu de 3,5% para 3,9% dos ativos – mas ainda em território de ‘venda’ por permanecer abaixo de 4%.
Cerca de 33% dos gestores entrevistados consideram o aumento ‘desordenado’ dos rendimentos dos Treasuries como o “maior risco extremo“, contra 27% em agosto. A preocupação substituiu a ‘bolha IA‘, que caiu de 32% para 28% no mês contra mês.
Segundo a pesquisa, a venda a descoberto de títulos do Tesouro é a segunda operação mais ‘popular’, atrás apenas de posições compradas em ações de semicondutores globais.
Além disso, apenas 14% dos gestores esperam algum corte nos investimentos em infraestrutura de IA pelas gigantes do setor –– as hypescalers, ao longo deste ano.
A pesquisa foi realizada entre 4 e 10 de setembro, com 190 gestores que detêm juntos US$ 512 bilgões de ativos sob gestão.
Exposição a Treasuries
A pesquisa também apontou que a posição líquida em Treasuries está 48% abaixo do peso ideal, ante 39% do mês anteriores, a menor exposição a títulos desde maio de 2022.
Para 27% dos entrevistados, uma mudança na alocação no mercado de títulos só deve acontecer se os rendimentos dos Treasuries subirem para um nível considerado atrativo, como por exemplo um yield de 6% no título de 30 anos. Outros 19%, por sua vez, disseram que precisariam observar uma alta significativa no mercado acionário.
Há também pouco otimismo sobre as recompras de títulos de longo prazo, anunciada pelo Tesouro. As operações começaram no último dia 9 e devem se estender até 4 de novembro. 46% dos gestores entrevistados esperavam nenhum impacto sobre os rendimentos dos Treasuries, enquanto 26% acreditam que os juros podem subir ainda mais.
Eleições: outro risco à mesa
A possibilidade de uma vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos EUA também entra na conta, reduzindo o apetite a risco dos gestores. A expectativa de maioria democrata na Câmara dos Representantes e Senado aumentou de 23% em agosto para 31% neste mês.
Nos mercados, 45% dos entrevistados esperam que a reação seja um aumento nos rendimentos dos Treasuries e uma queda das ações nesse cenário.