Transportes

Sob protestos, pressão de big techs e disputa política, regulamentação do trabalho por aplicativos ‘anda e para’ na Câmara

15 abr 2026, 11:23 - atualizado em 15 abr 2026, 11:24
Entregadores de aplicativos greve
Motorista de aplicativo durante protesto por melhores condições e regulamentação (Reuters/Ricardo Moraes)

A regulamentação do trabalho de motoristas e entregadores sob demanda no Brasil atravessa um momento crucial no Congresso Nacional. O avanço do Projeto de Lei Complementar (PLP 152/2025) na Câmara dos Deputados pode trazer o fim de um hiato legislativo de mais de uma década para uma categoria que já soma quase 2 milhões de profissionais no País, com 1,2 milhão exclusivamente no transporte de passageiros.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A essência da proposta é calibrar a relação entre o modelo de negócios das big techs e a urgência de garantias sociais para os motoristas de aplicativos, formalizando uma “terceira via” que evita o engessamento do regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Em meio às discussões, pressão das gigantes do setor, protestos de motoristas e uma batalha política entre governo e parlamentares pelo piso ao setor.

O projeto tramita em regime de urgência e a expectativa é que seja levado ao plenário para votação no primeiro semestre de 2026. O último movimento, no entanto, foi contrário: o relator do projeto, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), cancelou a votação do parecer na comissão especial que analisa o PLP, após os protestos de motoristas e entregadores esta semana.

Pressionado pelas companhias do setor, Coutinho sugere um piso de R$ 8,50, enquanto o governo quer R$ 10, valor obtido após negociações do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, com a categoria. Esse valor do Executivo, se não acatado pelo relator, pode entrar por meio de uma emenda.

Para quem opera os veículos, o valor mínimo contemplaria, além da remuneração pelo trabalho, o ressarcimento por gastos operacionais essenciais, como manutenção mecânica e internet.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Algoritmos e outros problemas

Outro ponto de discussão do texto é a transparência dos algoritmos dos aplicativos e a relação com os motoristas. Com as novas regras, as empresas seriam forçadas a expor os critérios que regem suspensões e cancelamentos de contas, além de assegurar que o motorista e entregador tenham direito ao contraditório antes de qualquer banimento definitivo.

O texto atual do projeto reforça a preservação da flexibilidade. O objetivo é assegurar que o marco legal não imponha jornadas rígidas nem contratos de exclusividade e mantenha a essência do trabalho independente que atrai milhões de brasileiros para essas plataformas.

Divergências persistem também sobre o “tempo de conexão”, com sindicatos exigindo que o período de espera também seja remunerado, ponto que sofre resistência das empresas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Paralelamente, a inclusão no Regime Geral de Previdência Social é um pilar inegociável. O sistema prevê que o trabalhador contribua com 5%, enquanto as plataformas arquem com uma fatia financeira patronal de 20% sobre o salário-contribuição.

Essa engrenagem abre as portas para direitos históricos, como o auxílio por incapacidade temporária, a aposentadoria por tempo de contribuição e o salário-maternidade.

A segurança também é pautada pelo texto, que sugere um limite máximo de tempo trabalhado para combater a fadiga e reduzir o número de acidentes.

O contexto histórico

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A maturação do PLP 152/2025 é o resultado direto de anos de tensões entre a União, entidades sindicais e empresas como Uber, 99, Keeta e iFood. Atualmente, as gigantes do setor aceitam a previdência, mas mantêm uma “linha vermelha”: o não reconhecimento do vínculo CLT, defendendo a autonomia do modelo em troca de fundos privados de assistência.

O fundamento da proposta também sustenta que a precarização atual é um risco ao sistema de seguridade do país. Contudo, o mercado sinaliza preocupação com o “custo Brasil” da regulamentação.

*Sob supervisão de Gustavo Porto

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Matheus Marques é estudante de jornalismo no IESB. Ele atua como estagiário em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Matheus Marques é estudante de jornalismo no IESB. Ele atua como estagiário em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar