XP: Queda no petróleo reduz expectativas para inflação; Selic pode cair uma última vez
A XP Investimentos fez ajustes nas suas projeções econômicas para este ano para o Brasil. A principal delas foi um ajuste para baixo na inflação. A expectativa agora é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) finalize o ano em 5,2%, ante os 5,5%. Para 2027, a expectativa está mantida em 4,2% com riscos de alta.
O número ainda está acima da faixa de tolerância da meta do Banco Central, mas já embute preços mais baixos do que esperado para o petróleo, que arrefeceu devido ao acordo estabelecido entre Estados Unidos e Irã. Agora, a equipe econômica da casa fixou o preço da commodity em US$ 75 no segundo semestre de 2026, ante os US$ 80 por barril.
Apesar de uma inflação mais baixa, a queda no preço do petróleo também fez a XP revisar a projeção de déficit em conta corrente de 2,1% para 2,5% do PIB em 2026, devido à queda no valor das exportações e aos maiores gastos com serviços.
Já do lado fiscal, a menor arrecadação por conta do petróleo deve ser compensada pela redução da subvenção aos combustíveis, levando o déficit primário de 2026 a 0,3% do PIB. Maiores despesas financeiras ampliam o impulso fiscal/parafiscal e pressionam a dívida pública.
As projeções de crescimento foram mantidas para este ano com a expectativa de chegar a 2% o PIB do Brasil. Em 2027, porém, a equipe reduziu a projeção de 1,2% para 1%, com os efeitos dos estímulos de curto prazo e o provável recuo cíclico do crédito.
A equipe da XP chama atenção para esse começo do segundo semestre por conta da tração que campanhas eleitorais devem ganhar já logo em julho, já que é o início do período da legislação que busca dar mais equilíbrio à disputa e a definição das chapas a partir das convenções partidárias.
Além da inflação: e como fica a Selic na próxima reunião?
Para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 4 e 5 de agosto, os economistas projetam a possibilidade de mais um corte de 0,25 ponto percentual reforçando o ciclo de calibração indicado pelo Banco Central. No entanto, destacam que os fundamentos estão desfavoráveis e que a partir daí, os membros do comitê possam optar por uma pausa.
Com isso, a XP projeta que a taxa Selic finalize o ano em 14%, mas indica que o ciclo de cortes pode voltar mais intensos em 2027, com uma projeção de taxa de juros em 11,50%.
No relatório é destacado que o alívio rápido não esperado do preço do petróleo pode inclusive diminuir as chances de que o Federal Reserve eleve os juros no curto prazo, mesmo que os riscos de inflação persistam.