Taesa (TAEE11) prevê desalavancagem e abre espaço para novos investimentos a partir de 2027
A Taesa (TAEE11) espera um avanço da alavancagem no terceiro trimestre de 2026 (3T26), mas por um motivo visto com bons pela administração. A aquisição de cinco ativos anteriormente detidos pela Energisa (ENGI11) é apontada pelo CEO, Rinaldo Pecchio, da transmissora como uma oportunidade que veio no timing ideal.
Em maio deste ano, a Energisa assinou um contrato para a venda de cinco ativos de transmissão para a Taesa por R$ 2,4 bilhões. Os ativos envolvidos são o Energisa Tocantins Transmissora de Energia I S.A. (ETT); Energisa Tocantins Transmissora de Energia II S.A. (ETT II), Energisa Pará Transmissora de Energia I S.A. (EPA I); Energisa Pará Transmissora de Energia II S.A. (EPA II); e Energisa Goiás Transmissora de Energia I S.A. (EGO).
De acordo com Catia Pereira, CFO da Taesa, apesar do avanço esperado, a alavancagem, medida pela relação dívida líquida sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), não deve permanecer elevada por muito tempo.
“A gente já começa, a partir do ano que vem, a voltar para abaixo de 4 vezes, em 2028 mais ainda, então vai abrindo espaço para a companhia, na atual estrutura de capital, seguir investindo, com disciplina financeira, disciplina de capital e trazendo tudo o que a gente fala de eficiência, excelência, sinergia para dentro dos modelos, porque é ele que vai trazer para a gente a competitividade”, afirma Pereira.
Vale lembrar que a Taesa reportou um índice de 4,2 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda no segundo trimestre de 2026.
Durante a conversa com jornalistas em evento realizado no interior de São Paulo, a executiva chamou atenção para a classificação “triple A” com agências classificadoras de risco, destacando que o movimento de elevar a alavancagem ocorreu de maneira ponderada e preservando a estrutura de capital da empresa.
Após os números do segundo trimestre deste ano, analistas colocaram na mesa a posição da Taesa uma das companhias com menor duração de fluxo de caixa do setor, ponderando que a manutenção dos níveis historicamente elevados de distribuição de dividendos deverá se tornar progressivamente mais desafiadora na ausência de oportunidades relevantes de reinvestimento.
Na empreitada de equilibrar investimentos e retorno aos acionistas, a CFO da companhia reforçou a posição de forte pagadora de dividendos que a Taesa está, o que deve continuar.
Ciclo de investimentos
A Taesa vive um forte ciclo de investimentos neste ano e tem no radar três avenidas de crescimento: leilões, aquisições e reforços e melhorias.
De acordo com a administração, os leilões são avaliados de acordo com eficiência e sinergias, sob a ótica da capacidade financeira da companhia.
“A questão do leilão continua sendo uma via de crescimento, mas tem que conjugar com eficiência, tem que conjugar com sinergia. Eu simplesmente falar que vou participar de qualquer leilão, não. […] Acho que é uma alternativa e existem três rotas: continuar olhando os leilões, oportunidades de M&A, reforços e melhorias, mas sempre olhando essa questão da capacidade financeira. Não tem assim uma decisão ou uma condenação para não participar de uma dessas três avenidas”, disse o CEO.
O executivo reforçou que, no caso da aquisições dos ativos, tratou-se de uma oportunidade, e não um descarte da atratividade dos leilões.
No que diz respeito ao fim de concessões existentes, mesmo com renovação ou relicitação, é esperada alguma redução de receita, porque determinados componentes relacionados à remuneração dos investimentos já foram amortizados ao longo dos 30 anos de concessão. Portanto, a Taesa não espera simplesmente manter a mesma RAP dessas concessões.
Veja dados do ciclo de investimentos de 2026:
| Construção e ampliação | Aquisições | Total | Crescimento | |
| Empreendimentos | 4 | 5 | 9 | |
| Linhas (km) | 642 | 1314 | 1956 | 13% |
| Subestações | 13 | 12 | 25 | 18% |
| Potência (GW) | 4,6 | 4,5 | 9,1 | 62% |
| Receita anual (R$ milhões, ciclo 26/27) | 507 | 305 | 812 | 20% |
| Investimentos (R$ bilhões) | 4,3 | 2,4 | 6,7 |
Fonte: Taesa
El Niño
O El Niño, fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, está no radar da Taesa, que comprou duas novas torres de emergência, com investimento de aproximadamente R$ 5 milhões.
Além disso, a administração estima ter direcionado aproximadamente R$ 15 milhões nos últimos dois anos para iniciativas relacionadas à resiliência climática.
Esse recurso entra no plano de manutenção da companhia, sem configurar um investimento adicional, conforme falas da CFO da Taesa.
Segundo Luis Alves, diretor técnico da transmissora, o fenômeno reforça um movimento já observado e aguardado de mudanças climáticas. A empresa mapeia e monitora vendavais que devem impactar a região Sul do país, enquanto o Norte e Nordeste é afetado por queimadas.
Como medidas, realizam predição a partir de informações recebidas por empresas meteorológicas, além da implementação de ferramentas próprias para esse acompanhamento. O tema está constantemente no radar da companhia dada a presença em grande parte do território nacional.
Cabe destacar que a Taesa conta com 16.600 km em linhas de transmissão espalhados por 19 unidades da Federação.
A criação de estruturas capazes de suportas eventos climáticos severos, no entanto, passam por uma questão maior. Segundo o CEO, o Brasil precisa ponderar o quanto está disposto a pagar por isso.
Isso porque é possível criar torres que suportem rajadas de vento mais fortes, mas que custa mais para a criação de uma infraestrutura superdimensionada.
Por ora, a estratégia é se preparar, com apoio de monitoramento meteorológico, investimentos em manutenção, planos de contingência e estruturas de emergência.
*A repórter viajou a convite da Taesa