Economia

Tarifa de Trump ameaça US$ 11 bilhões em exportações brasileiras, diz Amcham

16 jul 2026, 8:42
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(Imagem: tzahiV/Getty Images Signature)

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) classificou como um resultado “muito negativo” para a relação bilateral a decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros.

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A medida foi oficializada na quarta-feira (15) como desfecho da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e entrará em vigor em 22 de julho.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (16), a entidade afirmou que a nova política comercial colocará o Brasil entre os países com as condições mais restritivas de acesso ao mercado americano.

Segundo a Amcham, as tarifas devem atingir mais de US$ 11 bilhões em exportações dos setores industrial e agropecuário, apesar da ampla lista de exceções anunciada por Washington.

A entidade destacou ainda que a medida contrasta com o histórico recente da balança comercial entre os dois países.

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De acordo com a Amcham, os EUA registraram superávit de US$ 41,8 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil em 2025, enquanto as tarifas efetivamente aplicadas pelo governo brasileiro aos produtos americanos permanecem em patamares relativamente baixos.

Impacto das tarifas

Na avaliação da câmara de comércio, os impactos das sobretaxas não deverão se limitar aos exportadores brasileiros.

A entidade argumenta que a medida tende a elevar custos para empresas e consumidores americanos, reduzir a competitividade de indústrias norte-americanas que dependem de insumos produzidos no Brasil e ampliar a dependência dos EUA em relação a fornecedores asiáticos. Segundo a Amcham, esse movimento pode até mesmo agravar o déficit comercial americano com países da Ásia.

A associação também avalia que as tarifas podem comprometer oportunidades de cooperação entre os dois países em áreas consideradas estratégicas, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual, setores que vinham sendo apontados como prioritários nas discussões bilaterais.

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Outro ponto de preocupação é o impacto sobre o fluxo comercial entre os dois países. Segundo a Amcham, o comércio bilateral já acumula retração de 13% neste ano, movimento que levou a participação americana no comércio exterior brasileiro ao menor nível histórico.

A entidade alerta ainda para possíveis efeitos negativos sobre os investimentos entre os dois países, tradicionalmente associados ao dinamismo das relações comerciais.

O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, defendeu a manutenção das negociações entre os governos brasileiro e americano como principal caminho para reverter a medida.

“Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla”, afirmou.

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O executivo também chamou atenção para o risco de novas medidas comerciais contra o Brasil. Segundo ele, uma investigação paralela conduzida pelos EUA sobre trabalho forçado pode resultar em tarifas adicionais, elevando as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%.

Apesar das críticas, a Amcham reconheceu como positiva a decisão do governo americano de excluir mais de 2.100 produtos da nova tarifa de 25%. Na avaliação da entidade, a extensa lista de exceções ajuda a reduzir parte dos impactos econômicos da medida.

Ainda assim, a associação pediu a criação de um mecanismo permanente para a análise de novos pedidos de exclusão, especialmente para produtos cuja tributação possa gerar efeitos desproporcionais para empresas e consumidores ou que tenham pouca relação com as alegadas preocupações comerciais levantadas pelos Estados Unidos.

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Coordenadora de redação
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como coordenadora de redação no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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