Renda Fixa

‘Taxa mais alta em 20 anos’: Tesouro paga IPCA + 8%; vale aproveitar agora ou melhor esperar?

15 jun 2026, 11:09 - atualizado em 15 jun 2026, 11:25
renda fixa renda extra
XP recomenda 9 títulos de renda fixa - (Imagem: Canva Pro)

Os investidores de renda fixa voltaram a encontrar uma remuneração rara no mercado brasileiro. Com a recente abertura da curva de juros, títulos públicos indexados à inflação passaram a oferecer retornos próximos de IPCA + 8% ao ano, patamar considerado excepcional por gestores e que não aparece com frequência na história recente do país.

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Mas a dúvida permanece: diante da volatilidade dos mercados, das incertezas fiscais e da proximidade das eleições de 2026, é hora de aproveitar as taxas ou ainda vale esperar?

Para especialistas ouvidos pelo Money Times, os níveis atuais representam uma oportunidade relevante para quem investe com horizonte de longo prazo, embora o cenário continue exigindo cautela.

Por que os juros chegaram a esse patamar?

Segundo Daniel Borges, CEO da Route Investimentos, a disparada dos rendimentos reflete uma combinação de fatores domésticos e internacionais.

“Estamos presenciando uma tempestade perfeita de fatores fiscais e monetários”, afirma.

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Segundo Borges, a combinação de incertezas fiscais no Brasil e juros elevados nos Estados Unidos fez os investidores exigirem um prêmio maior para financiar o governo brasileiro. Com isso, o Tesouro passou a emitir títulos com remunerações mais altas para conseguir refinanciar sua dívida, levando as taxas dos papéis prefixados e indexados à inflação para níveis historicamente elevados

A leitura é semelhante à de Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset. Para ele, além do cenário fiscal, o mercado passou a revisar as apostas de cortes da Selic diante de uma atividade econômica mais forte do que o esperado, novas medidas de estímulo à demanda e os impactos da alta recente do petróleo.

Na avaliação do gestor, o mercado chegou a precificar um ciclo relevante de redução da Selic, mas os dados econômicos e os riscos inflacionários frustraram parte dessas expectativas.

Afinal, IPCA + 8% é uma oportunidade?

Para os especialistas, os níveis atuais das taxas representam uma das janelas mais atrativas dos últimos anos para investidores de longo prazo. Com alguns títulos indexados à inflação se aproximando de IPCA + 8%, o mercado passou a oferecer uma remuneração muito acima da média observada na última década.

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Na avaliação do CEO da Route Investimentos, o patamar atual proporciona um prêmio raro ao investidor.

“Pagar IPCA + 6% ou próximo de 8% ao ano em juros reais é um patamar historicamente alto que oferece um colchão de proteção patrimonial imenso”, afirma.

A percepção é compartilhada pelo gestor da Inter Asset. Segundo ele, o movimento recente levou os juros reais para níveis pouco vistos no mercado brasileiro. “Quando a gente dá um zoom out na tela, é a taxa mais alta em 20 anos”, diz.

Para os gestores, a principal atratividade está justamente na possibilidade de travar retornos elevados por um período prolongado. Caso o cenário macroeconômico melhore nos próximos anos e os juros voltem a recuar, os investidores que entrarem agora ainda poderão se beneficiar da valorização desses títulos no mercado secundário.

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Mas há motivos para cautela

O fato de os rendimentos estarem elevados não significa que o risco desapareceu. Lima avalia que parte da abertura recente das taxas foi exagerada por fatores técnicos e fluxo de mercado, mas destaca que os fundamentos continuam desafiadores.

“Tem uma oportunidade sim, mas tem que ter cautela”. Segundo ele, a inflação ainda segue pressionada, a atividade econômica mostra resiliência e o ambiente eleitoral tende a aumentar a volatilidade dos ativos brasileiros nos próximos meses.

Borges faz um alerta semelhante. “O investidor deve evitar alocações de 100% em prazos muito longos sem reserva de liquidez”.

Isso porque, mesmo que a taxa contratada seja elevada, os títulos mais longos podem sofrer fortes oscilações de preço caso os juros continuem subindo no curto prazo.

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NTN-B ou prefixado?

Um dos pontos mais interessantes levantados pelos especialistas envolve a escolha entre títulos indexados à inflação e prefixados.

Enquanto Borges vê valor nos papéis atrelados ao IPCA devido ao elevado juro real oferecido atualmente, Lima entende que os prefixados passaram a ganhar atratividade.

“Se você acredita no Banco Central, talvez seja melhor estar no nominal”, destaca o gestor de renda fixa, em referência à condução da política monetária por parte da autarquia nos últimos tempos.

A avaliação do gestor é que parte dos títulos indexados à inflação já embute uma expectativa muito elevada para a inflação futura. Caso o Banco Central consiga conduzir a inflação para níveis mais baixos ao longo dos próximos anos, os prefixados poderiam entregar um retorno superior.

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Por isso, a recomendação é evitar apostas concentradas em uma única estratégia.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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