Taxas de DIs têm alta com onda de ‘sell off’ no exterior e incerteza eleitoral
A curva de juros futuros encerrou as negociações desta sexta-feira (15) em alta com o derretimento dos ativos globais, em meio a uma onda de ‘sell off‘ nos mercados externos. O risco ‘Flávio’ também continuou a fazer preço no cenário doméstico.
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, subiu 4 pontos-base e fechou a 14,235% ante 14,190% do ajuste anterior.
Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 14,165% ante 13,990% do fechamento anterior, ganho de 17 pontos-base.
A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 14,260% ante 14,110% do fechamento da última quinta-feira (14), avanço de 15 pontos-base.
Já nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, também fecharam em forte alta.
O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – terminou a 4,079% ante 3,992% do ajuste anterior.
Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – subiu a 4,597% ante 4,459% do fechamento anterior.
O que mexeu com os DIs hoje?
Desde a última quarta-feira (13), o cenário eleitoral concentrou o foco dos investidores após a divulgação de um áudio entre o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pelo Intercept Brasil.
O site de notícia divulgou um áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe de Estado.
Segundo a reportagem, a troca de mensagens entre o pré-candidato à Presidência e Vorcaro indicam a existência de uma negociação em que o dono do Master se comprometeu a repassar um total de US$ 24 milhões – equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época – para financiar o filme biográfico de Jair Bolsonaro.
Em resposta, Flávio admitiu que conhece Vorcaro – uma relação que começou em dezembro de 2024, segundo ele – e que retomou o contato com o empresário quando as parcelas do patrocínio do filme “Dark Horse” sobre a vida do seu pai estavam atrasadas.
Em entrevista à CNN Brasil, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que as conversas com o ex-banqueiro e dono do Master, Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal por suspeitas de fraude financeira, não vão impactar sua pré-candidatura à Presidência.
No mercado, a percepção é de que a ligação de Flávio com Vorcaro eleva as chances de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reeleger em outubro. A continuidade do governo Lula é vista por agentes do mercado como um fator negativo para o ajuste das contas públicas.
“O mercado tem uma certeza hoje de que o governo Lula não tem o compromisso fiscal necessário, considerando a situação do endividamento, da composição da dívida pública. E como Flávio se tornou nas pesquisas o grande favorito, [a ligação com Vorcaro] mexe nessas probabilidades de ele ser eleito”, afirmou Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez.
No exterior, as taxas dispararam com a frustração com a visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à China. O mercado esperava avanços concretos nas negociações de paz no Oriente Médio com apoio de Pequim, importante aliado e maior comprador de petróleo do Irã – o que não aconteceu.
Com a manutenção do impasse para um cessar-fogo entre Washington e Teerã, os preços do petróleo operam em forte alta, com o barril do Brent próximo a US$ 110 – reforçando o temor de impactos inflacionários decorrentes dos preços de energia nas principais economias do mundo e aumenta a expectativa de juros elevados por mais tempo.
“Os mercados não ouviram o suficiente de Pequim para ficarem mais otimistas em relação ao Golfo, e os dados fortes dos EUA agora estão aumentando a confiança em uma alta de juros pelo Fed”, o estrategista do ING, Francesco Pesole, em relatório diário.
Nos Estados Unidos, os traders já veem chance de elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) em janeiro de 2027, após dados de inflação ao consumidor e ao produtor mais altos do que o esperado para abril e nos maiores níveis desde 2023 e 2022, respectivamente.