Dólar

Dólar salta a R$ 5,06 e acumula valorização de mais de 3% com ‘risco Flávio’ e Oriente Médio em foco

15 maio 2026, 17:04 - atualizado em 15 maio 2026, 17:04
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(Foto: iStock.com/MicroStockHub)

O dólar à vista ganhou força com o mercado mais avesso a risco de olho no cenário geopolítico e precificação do risco eleitoral no ambiente doméstico.

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Nesta sexta-feira (15), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,0678, com alta de 1,63%. Mais cedo, a moeda chegou a ser cotada a R$ 5,0818 (+1,92%), no maior nível intradia em quase um mês.



O dólar acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com ganho de 0,47%, aos 99.292 pontos.

Na semana, o dólar acumulou valorização de 3,55% ante o real.

O que mexeu com o dólar hoje?

O mercado de câmbio voltou a precificar o risco eleitoral, ofuscando a valorização do petróleo – que tende a beneficiar o real, já que o Brasil é um país exportador de commodities.

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Por aqui, o mercado continuou a repercutir a relação entre o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Na última quarta-feira (13), uma reportagem do Intercept Brasil noticiou que a troca de mensagens entre o pré-candidato à Presidência e Vorcaro indicam a existência de uma negociação em que o dono do Master se comprometeu a repassar um total de US$ 24 milhões – equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época – para financiar o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe de Estado.

Para analistas do mercado, a possível ligação de Flávio com Vorcaro coloca em xeque a candidatura do senador à Presidência nas eleições de outubro – apontando como principal candidato da direita.

Em entrevista à CNN Brasil, Flávio disse que as conversas com o ex-banqueiro, preso pela Polícia Federal por suspeitas de fraude financeira, não vão impactar sua pré-candidatura dele à Presidência.

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“Eu sabia que isso, por mais que pudesse ser usado contra mim, não vai, no fim das contas, impactar a minha pré-candidatura. É fácil de explicar e entender, mas há um conjunto de pessoas, que parece estar a serviço do governo, torcendo para que o Lula seja reeleito presidente”, disse Flávio.

O senador ainda disse que irá “até o fim” na disputa pelo Palácio do Planalto.

Já hoje, o Intercept noticiou que o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) atuou como produtor-executivo de “Dark Horse” e que a Polícia Federal apura se o dinheiro de Vorcaro para o filme biográfico teria custeado as despesas do deputado nos EUA.

Ainda durante a entrevista ao canal de notícias, Flávio afirmou que o irmão, Eduardo, “não fez a gestão do dinheiro”. “Pelo contrário, foi uma pessoa que colocou dinheiro dele nesse projeto”.

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Incertezas geopolíticas

No exterior, o dólar ganhou força com a frustração com a visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à China. O mercado esperava avanços concretos nas negociações de paz no Oriente Médio com apoio de Pequim, importante aliado e maior comprador de petróleo do Irã – o que não aconteceu.

Com a manutenção do impasse para um cessar-fogo entre Washington e Teerã, os preços do petróleo operam em forte alta, com o barril do Brent próximo a US$ 110 – reforçando o temor de impactos inflacionários decorrentes dos preços de energia nas principais economias do mundo e aumenta a expectativa de juros elevados por mais tempo.

“Mais uma alta nos preços do petróleo está permitindo que o dólar se beneficie dos dados recentes de tom hawkish e da consequente reprecificação das apostas de alta de juros pelo Fed”, afirmou o estrategista do ING, Francesco Pesole, em relatório diário.

“Os mercados não ouviram o suficiente de Pequim para ficarem mais otimistas em relação ao Golfo, e os dados fortes dos EUA agora estão aumentando a confiança em uma alta de juros pelo Fed”, acrescentou Pesole.

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Por lá, os traders já veem chance de elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) em janeiro de 2027, após dados de inflação ao consumidor e ao produtor mais altos do que o esperado para abril e nos maiores níveis desde 2023 e 2022, respectivamente.

“O principal vetor de pressão continua sendo o mercado de títulos soberanos: os Treasuries norte-americanos de 10 anos renovaram máximas não vistas desde o primeiro semestre do ano passado, com apostas de mercado projetando alta dos juros pelo Fed ainda em 2026, uma mudança drástica em relação ao afrouxamento que era previsto no início do ano”, afirmou Bruno Shahini, especialista de investimentos da Nomad.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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