Dólar

Tendência que veio para ficar? Bancão e corretora veem espaço para dólar cair mais

22 abr 2026, 11:01 - atualizado em 22 abr 2026, 11:01
Dólar câmbio bdr ações
(Imagem: iStock/Galeanu Mihai)

O dólar à vista recuava 0,25%, a R$ 4,9616, por volta das 10h47 (horário de Brasília) desta quarta-feira (22), apesar do ambiente de cautela no exterior com o frágil cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, sem a certeza de que o país persa quer voltar à mesa de negociação, e ataques a navios no Estreito de Ormuz.

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Na semana, o dólar caiu 0,41% e no mês a queda já chega a 4,16%. O movimento, ligado à forte desvalorização da moeda norte-americana globalmente, ainda pode continuar, na visão do BTG Pactual e da XP Investimentos.

A XP destaca que os fatores globais foram determinantes para a performance positiva do real ante o dólar desde o tarifaço promovido pelos Estados Unidos em abril de 2025, com a divisa brasileira acumulando alta de 12,8% apenas no ano passado.

“O questionamento dos EUA como porto seguro global, a deterioração institucional e a política econômica errática de Donald Trump alimentaram a queda do dólar”, detalham a estrategista de investimentos da corretora, Rachel de Sá, e os economistas Rodolfo Margato e Luíza Pinese.

Nesse contexto, o Brasil passou a ser visto como um beneficiário relativo do “xadrez tarifário global”, atraindo parte do fluxo estrangeiro em busca de retornos além dos Estados Unidos – e fortalecendo o real, que está nos seus menores nível em mais de dois anos, explicam.

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O BTG, em relatório técnico, afirma que a tendência de curto e médio prazo é de baixa para o câmbio, sem sinais de reversão por ora. O banco prevê, pelo Keller Trend Model, que os suportes de curto prazo para o dólar se alinham com os níveis de médio prazo, com destaque para a faixa entre R$ 4,87 e R$ 4,90, além do suporte em R$ 4,80.

“O aumento da volatilidade e a perda de suportes relevantes reforçam o cenário de tendência de baixa, com atenção às regiões de suporte projetadas como possíveis pontos de reação”, afirma o BTG.

Segundo o banco, o movimento recente reforça a continuidade da dominância vendedora do dólar, com o par mantendo estrutura de topos e fundos descendentes após a perda de níveis relevantes de suporte.

Além disso, as médias móveis de 21 e 50 dias indicam predominância da ponta vendedora do dólar, indicando resistências na faixa dos R$ 5,1470 e R$ 5,1950, o que limita eventuais tentativas de recuperação da moeda norte-americana no curto prazo, explica.

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O banco acrescenta que o price action do dólar mostra um aumento da amplitude dos pregões de queda em relação aos de alta, além de fechamentos recentes próximos às mínimas, evidenciando pouca reação da ponta compradora.

O BTG atenta ainda que a recuperação recente da moeda norte-americana foi pontual dentro de uma tendência mais ampla de baixa.

Brasil é o grande vencedor com a guerra?

Para a XP, o Brasil deve seguir visto como “vencedor líquido” do atual choque do petróleo. “O aumento das receitas de exportação, sobretudo de commodities energéticas, melhora os termos de troca e fortalece as contas externas. Esse efeito reforça a dinâmica positiva da rotação de fluxos globais em direção a mercados emergentes”, afirma.

Segundo a corretora, a baixa exposição do Brasil à região em termos geopolíticos e comerciais também deve seguir favorecendo os ativos domésticos, assim como a menor percepção de risco fiscal associada aos ganhos de arrecadação decorrentes do petróleo mais caro.

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Mais adiante, porém, fatores domésticos tendem a ganhar importância como determinantes da taxa de câmbio, especialmente à medida que o calendário eleitoral se aproxima, diz a XP. “Ainda assim, nossa projeção de 5,30 reais por dólar ao final do ano apresenta viés de baixa, sobretudo caso a dinâmica global favorável observada nos últimos meses se mantenha”, ressalta.

Em outras palavras, a XP prevê um real mais forte ao longo de 2026, caso o ambiente observado nos últimos meses se mantenha.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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