Tesouro Direto: Taxas abrem voláteis e negociação de títulos é suspensa
A negociação dos títulos do Tesouro Direto foi temporariamente suspensa nesta sexta-feira (17), em meio à forte volatilidade das taxas de juros, refletindo mudanças no cenário global e doméstico.
Normalmente, as taxas são disponibilizadas às 9h30 da manhã com a abertura do mercado, mas às 11h elas ainda não estavam disponíveis no site oficial do Tesouro.
O movimento acompanha a queda expressiva dos juros futuros no Brasil, em um ambiente de alívio nos mercados internacionais.
Por volta das 10h, a taxa do DI para janeiro de 2028 recuava para 13,2%, uma queda de 29 pontos-base em relação ao ajuste anterior. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2035 caía 22 pontos-base, a 13,315%.
Volatilidade com o cenário externo
A movimentação é puxada principalmente pelo cenário externo. O mercado reage ao aumento do otimismo em torno de um possível acordo de paz no Oriente Médio, após sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã e à liberação do Estreito de Ormuz pelo governo iraniano. O cessar-fogo recente entre Líbano e Israel também contribui para a redução das tensões.
Esse conjunto de fatores provoca uma reprecificação rápida das curvas de juros, levando o Tesouro Nacional a interromper momentaneamente as negociações de seus títulos públicos, uma prática comum em momentos de estresse ou oscilações intensas, para evitar distorções nos preços oferecidos aos investidores.
No site é possível encontrar essa mensagem: “Você pode estar vendo apenas os títulos do Tesouro Selic porque os preços dos demais títulos podem estar oscilando significativamente. Assim que novos preços forem definidos para os títulos, eles estarão disponíveis para negociação novamente”.
Cautela por aqui também
Apesar do ambiente externo mais benigno, o cenário doméstico ainda impõe cautela. As apostas no mercado seguem concentradas em um corte mais moderado da Selic na próxima reunião do Copom. Atualmente em 14,75% ao ano, a taxa básica deve ser reduzida em 25 pontos-base, segundo a maioria dos especialistas.
Dados mais recentes da B3 indicam que 75,5% do mercado aposta nesse movimento, enquanto apenas 16,5% veem espaço para um corte mais agressivo, de 50 pontos-base — uma probabilidade que já foi maior no início do mês, antes do avanço das tensões geopolíticas.
*Com informações da Reuters